Cantora Maria Struduth lança single em defesa à vida das mulheres

A cantora e compositora feirense Maria Struduth se prepara para o lançamento de mais um single, no dia 8 de março de 2023, data que marca o Dia Internacional da Mulher. A música “Olhai, Mamãe Oxum”, que sucede o single “O Menino Vento”, de 2021, é uma parceria com a cantora e poetisa paulista Zeferina, que também assina a composição. Em ritmo de ijexá, a doce melodia encontra um forte complemento na potência vocal das artistas, que reforçam a necessidade de proteção das mulheres contra as violências perpetuadas pelo machismo na sociedade. A canção conta, ainda, com uma tocante sequência de cenas dirigidas por Victória Nasck, nas águas de uma cachoeira no povoado de Murutuba, zona rural do município de Cachoeira/BA.

Natural de Feira de Santana, Maria Struduth é bacharel em Artes Visuais e encontrou na arte um refúgio para não sucumbir às suas dores, sempre se expressando através de ilustrações e composições. Ao se mudar para Cachoeira, no Recôncavo Baiano, onde iniciou a vida acadêmica, expandiu ainda mais suas expressões artísticas na busca pelo autoconhecimento, passando a ter um contato ainda mais íntimo com a percussão, a capoeira e o candomblé: quando afirma ter se descoberto filha dos orixás Oxum e Xangô, enquanto cuidava de sua espiritualidade.

A artista conta que a composição surgiu em 2019, ao refletir sobre diversas violências sofridas durante sua trajetória somente pelo fato de ser mulher, além do recorte racial que também a afeta no lugar de mulher negra em uma sociedade racista. Com seu inseparável pandeiro e às margens de uma queda d’água, deu voz a uma prece para Oxum: orixá cultuada pelas religiões de matrizes africanas, considerada rainha das águas e representante do poder feminino, da fertilidade e sabedoria. Foi nos braços de “Mamãe Oxum” que a nova canção começou a nascer.

Ainda no mesmo ano, durante o encontro musical Ethno Bahia, Struduth apresentou, para outros colegas, a música incompleta, que chegou aos ouvidos da compositora afrofuturista e também filha de Oxum, Zeferina. Tocada pelos versos, a paulista procurou Maria para concluírem, juntas, a obra – ocasião que também marcou o início de uma bela amizade entre as artistas e de um verdadeiro intercâmbio Bahia-São Paulo. Desde então, a canção foi executada em diversos shows, em ritmo de samba de roda, com boa recepção do público.

Agora, registrado em um doce ijexá, o single ganha um clipe, marcado pela dança e movimentação de corpos, que mostra um forte desejo de liberdade e cura espiritual para mulheres que sobrevivem numa sociedade machista patriarcal.

Acompanhe lançamento do single


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