Os conselheiros tutelares desempenham um papel crucial na proteção dos direitos das crianças e adolescentes em todo o Brasil. Esses dedicados profissionais estão disponíveis 24 horas por dia, prontos para atender às necessidades da população. Trabalhando em grupos de cinco, eles oferecem assistência durante o horário comercial, das 8 às 17 horas, mas também se revezam em plantões, ficando à disposição por meio de telefones celulares.
Carlos Marra, de 35 anos, atua como conselheiro desde 2020, na área de Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro, que abrange comunidades como o Complexo da Maré e Manguinhos. Marra, que não buscará a reeleição, descreve o trabalho de conselheiro como desafiador, com uma carga significativa de trabalho e desgaste psicológico.
“É um trabalho em que você se depara com muitas situações de violação de direitos e, principalmente, violência e ameaças à vida de crianças e adolescentes. E você não tem nenhum tipo de suporte para sua saúde mental.”
A pandemia de COVID-19, que surgiu pouco depois de Marra assumir suas funções no Conselho Tutelar 11 da cidade do Rio de Janeiro, tornou o trabalho do conselheiro ainda mais desafiador.
“Observamos um aumento significativo nas denúncias de abuso, incluindo questões sexuais e físicas, provavelmente devido à convivência prolongada das pessoas em suas casas. Também tivemos um grande número de casos relacionados à saúde mental e suicídio entre adolescentes.”
Marra enfatiza que os conselhos tutelares não são órgãos punitivos ou do sistema judicial, mas sim de proteção.
“Todas as intervenções do conselho tutelar devem ser medidas de proteção para crianças ou adolescentes que possam estar sofrendo algum tipo de ameaça à sua integridade física, abuso ou violação de direitos de maneira mais ampla ou subjetiva. O trabalho envolve o atendimento às famílias, crianças e adolescentes, bem como a colaboração com redes de educação, saúde e assistência social e articulação direta no território.”
Além dos conselheiros, cada conselho conta com uma equipe de apoio composta por psicólogos, assistentes sociais, pessoal administrativo e motoristas.
Marra enfatiza que o conselheiro tutelar deve ser um agente público bem familiarizado com as demandas do território onde atua.
“Ser conselheiro tutelar o torna cada vez mais humano e empático, permitindo reconhecer o outro como sujeito de direitos e praticar a cidadania.”
*Com informações da Agência Brasil.








Deixe um comentário