Estudo revela crescimento do sexismo e conservadorismo na nova geração francesa

O mais recente relatório do Conselho Superior para a Igualdade revelou uma tendência alarmante na França, com homens entre 25 e 34 anos demonstrando comportamentos mais sexistas em comparação com faixas etárias mais avançadas. Intitulado “Combater as raízes do sexismo”, o estudo aponta a família, a escola e a internet como influências significativas que perpetuam e exacerbam o sexismo, desafiando décadas de luta feminista no país.

Os resultados da pesquisa, baseados em entrevistas com mais de 3.500 pessoas com idade acima de 15 anos, indicam que 90% das mulheres vivenciaram situações sexistas pessoalmente. O tratamento desigual na vida familiar foi relatado por 70% das entrevistadas, enquanto 38% sofreram discriminação na escola.

Destacando a preocupante disparidade entre as gerações, o estudo revelou que 28% dos homens de 25 a 34 anos acreditam que “os homens são mais adequados para serem chefes”. Além disso, mais jovens expressam maior resistência ao feminismo, com 52% lamentando a acusação de sexismo ao tentar conquistar mulheres.

A pesquisa também revelou um aumento do conservadorismo, com 20% dos homens mais jovens considerando normal ter um salário superior ao de uma colega no mesmo cargo. Além disso, um terço acredita ser aceitável que uma mulher deixe de trabalhar para cuidar dos filhos, indicando um aumento em relação às edições anteriores do estudo.

O Conselho Superior para a Igualdade expressa preocupação com a propagação de hashtags nas redes sociais que promovem papéis tradicionais para as mulheres. Nas plataformas digitais, vídeos mostrando jovens adultas dedicadas a relacionamentos tradicionais ganham destaque, indicando uma influência preocupante na internet. Os pesquisadores apontam que 68% dos vídeos no Instagram e 88% no Youtube difundem estereótipos de gênero.

O conservadorismo também se manifesta nas respostas das mulheres jovens, com quase 60% delas acreditando que uma mulher deve priorizar a vida familiar em detrimento da carreira. O Conselho conclui que o sexismo tem origens multifacetadas, começando em casa, perpetuado na escola e intensificado online.

*Com informações da RFI.


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