A perda de influência da França como ator global relevante reflete um panorama mais amplo de declínio da Europa na geopolítica global, afirmam especialistas em entrevista à Sputnik Brasil. A ascensão de Emmanuel Macron, presidente francês, nos noticiários recentes, tem sido acompanhada por uma série de controvérsias, incluindo posicionamentos polêmicos em relação ao conflito ucraniano e à crise na Faixa de Gaza.
Analistas destacam que a postura mais atuante de Macron no cenário internacional, embora demonstre uma liderança forçada, é sintomática de problemas internos e externos que afetam não apenas a França, mas vários países europeus. Isso sinaliza um declínio na relevância do continente europeu na geopolítica global.
Afonso de Albuquerque, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (PPGCOM/UFF), aponta que a França enfrenta um processo contínuo de declínio de sua posição externa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso está relacionado ao fim da colonização formal e ao avanço dos Estados Unidos como líder do campo ocidental, colocando a Europa em uma posição secundária.
Albuquerque destaca também a perda acelerada da relevância econômica não só da França, mas também da Alemanha, que está decaindo de sua condição de superpotência industrial. Além disso, a ascensão de novos atores, especialmente do Sul Global, como China, Rússia, Brasil e Índia, contribui para o declínio europeu.
Natali Hoff, professora de relações internacionais e ciência política do Centro Universitário Internacional (Uninter), ressalta que a perda de influência da França entre suas ex-colônias na África também é um reflexo desse declínio europeu. Os reveses estratégicos e políticos enfrentados pela França, especialmente na região do Sahel, evidenciam uma mudança nas relações de poder e influência na geopolítica global.
*Com informações da Sputnik News.








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