O ex-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Élcio Vieira de Queiroz, prestou depoimento virtual nesta segunda-feira (02/09/2024) no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ação penal que investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018. Élcio, que dirigiu o veículo utilizado pelo ex-policial Ronnie Lessa, réu confesso do crime, está preso e assinou um acordo de delação com a Polícia Federal (PF), no qual assumiu sua participação no homicídio.
Durante o depoimento, Élcio explicou os motivos que o levaram a fechar o acordo de colaboração com a PF. Segundo ele, desejava firmar a delação desde o início da repercussão do caso, mas não o fez anteriormente devido à desconfiança na Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, responsável pelas investigações iniciais. Élcio alegou ter suspeitas de corrupção dentro da referida delegacia.
A entrada da PF no caso foi descrita por Élcio como um fator decisivo para a conclusão do acordo, uma vez que a nova investigação trouxe provas contundentes contra ele. O ex-sargento declarou que viu na PF uma esperança para colaborar e esclarecer os fatos.
Em outro trecho do depoimento, Élcio afirmou não ter tido conhecimento prévio sobre a intenção de Ronnie Lessa de cometer o assassinato. Ele relatou ao juiz Airton Vieira, que presidiu o depoimento, que acreditava que a execução seria uma ação pessoal de Lessa, e que sua falta de conhecimento sobre os detalhes foi uma medida de precaução para garantir sua segurança.
Na sessão de sexta-feira (30), Élcio expressou ter se sentido enganado por Ronnie Lessa e afirmou ter sido envolvido em uma “rede de mentiras”. O STF encerrou nesta segunda-feira a fase de depoimentos das testemunhas de acusação arroladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A próxima fase, que começará em 9 de setembro, será dedicada aos depoimentos das testemunhas de defesa dos réus.
Os réus no processo incluem o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, seu irmão, Chiquinho Brazão, deputado federal (sem partido-RJ), o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, e o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira. Todos são acusados de homicídio e organização criminosa e estão detidos, negando as acusações. Cerca de 70 testemunhas devem depor ao longo da ação penal, e os depoimentos dos réus estão previstos para a fase final do processo.
*Com informações da Agência Brasil.








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