Israel conseguiu esconder explosivos em pagers do Hezbollah, diz New York Times

Segundo informações divulgadas pelo New York Times (NYT), Israel teria realizado um ataque sem precedentes no Líbano ao esconder explosivos em pagers que foram interceptados antes de serem entregues ao movimento xiita libanês Hezbollah. O ataque, ocorrido na terça-feira (17/09/2024), resultou na morte de nove pessoas e feriu quase 2.800 indivíduos.

De acordo com o NYT, que se baseia em fontes anônimas de autoridades americanas e internacionais, Israel conseguiu inserir pequenos explosivos em pagers adquiridos pelo Hezbollah em Taiwan. Estes dispositivos foram detonados remotamente por Israel na data mencionada. As fontes, que não tiveram suas nacionalidades reveladas, forneceram detalhes sobre a operação, incluindo o uso de pagers fabricados pela empresa taiwanesa Gold Apollo.

Os pagers, fabricados pela Gold Apollo, foram interceptados pelos serviços israelenses antes de chegarem ao Líbano. Segundo o NYT, pequenas quantidades de material explosivo foram inseridas nos dispositivos, próximos à bateria, e acionadas por um gatilho. A Gold Apollo, por sua vez, negou ter produzido os pagers envolvidos no incidente. O diretor da empresa, Hsu Chin-kuang, afirmou que os dispositivos não foram fabricados pela Gold Apollo, mas sim pela BAC, uma empresa húngara parceira que usou a marca taiwanesa sob um acordo de cooperação.

No dia seguinte ao ataque, Hsu Ching-kuang reiterou a negativa da Gold Apollo sobre a fabricação dos pagers. Segundo ele, a BAC é a responsável pela produção e venda dos dispositivos, e a empresa taiwanesa não teve envolvimento na fabricação dos mesmos.

O NYT relata que, no momento do ataque, uma mensagem aparentemente enviada pela liderança do Hezbollah fez com que os dispositivos emitissem um sinal sonoro por vários segundos antes de explodirem. As fontes do jornal indicam que o Hezbollah havia encomendado mais de 3.000 pagers do modelo AP924 à Gold Apollo, o que apoia a teoria de que Israel conseguiu se infiltrar na cadeia logística do grupo libanês para executar o ataque.

Explosão de pagers do Hezbollah no Líbano resulta em mortos e feridos

Na terça-feira (17), uma série de explosões simultâneas de pagers utilizados pelo grupo armado libanês Hezbollah deixou um saldo de nove mortos e 2.750 feridos em diversas regiões do Líbano. Entre os feridos está o embaixador do Irã em Beirute, Mojtaba Amani, segundo informações divulgadas pela televisão iraniana. O incidente ocorreu em áreas controladas pelo Hezbollah, incluindo o sul de Beirute, o sul do Líbano e o Vale do Bekaa, redutos importantes do movimento xiita.

O ataque provocou a morte de uma menina de dez anos, filha de um membro do Hezbollah, quando o pager de seu pai explodiu. O ministro libanês da Saúde, Firass Abiad, confirmou que muitos dos feridos foram levados para hospitais, destacando que dezenas de ambulâncias foram mobilizadas para atender as vítimas. A Cruz Vermelha libanesa entrou em “alerta máximo” para responder à crise.

A agência oficial de notícias do Líbano (ANI) descreveu o evento como um “incidente de segurança sem precedentes”, atribuindo a responsabilidade a “hackers” israelenses. O Hezbollah havia substituído os telefones celulares por pagers para evitar a interceptação de comunicações por Israel, e aparentemente o sistema de comunicação foi comprometido com alta tecnologia.

Este é o primeiro incidente de tal magnitude desde o início dos conflitos intensificados entre o Hezbollah e Israel, que estão em andamento há quase um ano devido à guerra em Gaza.

Explosão marca novo capítulo na guerra com Israel

A ação, atribuída a Israel, ocorreu simultaneamente em diversas regiões do Líbano e da Síria e pode alterar significativamente a dinâmica do conflito iniciado em 8 de outubro, quando o Hezbollah começou a atacar território israelense em apoio ao Hamas.

De acordo com estimativas da CIA, o Hezbollah conta com cerca de 45 mil combatentes, sendo 20 mil ativos e 25 mil na reserva. A explosão dos pagers pode ter afetado até 6% do total do efetivo da milícia xiita, considerando que todos os dispositivos atingidos fossem operados por combatentes. A magnitude do ataque e a complexidade envolvida sugerem que apenas um ator regional com capacidade tecnológica avançada, como Israel, poderia ter realizado tal operação.

O Hezbollah responsabilizou oficialmente Israel pelo ataque e prometeu uma resposta. A natureza do ataque e a falta de confirmação formal por parte de Israel indicam uma operação com alta sofisticação técnica. Fontes consultadas pela Radio France Internationale (RFI) corroboraram que Israel foi responsável pela ofensiva, embora ainda não haja uma confirmação oficial.

Em resposta à operação, as aulas nas escolas libanesas foram canceladas na quarta-feira (18). No Israel, até o momento, não foram emitidas novas orientações pelo Exército. Além disso, lideranças de grupos na Cisjordânia instruíram seus membros a abandonar o uso de pagers e telefones celulares para evitar riscos semelhantes.

Governo brasileiro condena ato

Na terça-feira (17), o governo brasileiro emitiu uma nota oficial condenando as explosões coordenadas e simultâneas de centenas de pagers no Líbano, que resultaram na morte de pelo menos nove pessoas, incluindo uma criança, e deixaram centenas de feridos. As explosões ocorreram na manhã do mesmo dia, e até o momento, não há registros de brasileiros entre as vítimas.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que tais atos contribuem para uma escalada significativa das tensões na região e aumentam o risco de expansão do conflito. A nota destacou que os apelos da comunidade internacional para contenção têm sido, infelizmente, ineficazes. A embaixada brasileira em Beirute está fornecendo orientações à comunidade brasileira local.

O governo brasileiro reiterou a importância do pleno respeito à soberania e à integridade territorial dos países envolvidos. O Hezbollah acusou Israel de ser o responsável pelas explosões e prometeu que Israel enfrentará as consequências adequadas.

*Com informações da RFI e Agência Brasil.


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