ONU apela por calma em meio a protestos pós-eleitorais em Moçambique

Na quarta-feira (27/11/2024), manifestações tomaram as ruas de Maputo, capital de Moçambique, em contestação ao resultado das eleições realizadas em 9 de outubro. Daniel Chapo, candidato do governo, foi declarado vencedor, mas setores da população questionam a legitimidade do pleito. Grupos de manifestantes bloquearam várias vias da cidade com veículos, interrompendo o trânsito entre 8h e 16h.

Durante os protestos, uma jovem foi atropelada por um veículo blindado da polícia na Avenida Eduardo Mondlane. O incidente gerou ampla repercussão, com imagens sendo amplamente compartilhadas nas redes sociais. A coordenadora residente da ONU em Moçambique, Catherine Sozi, declarou estar alarmada com os relatos de mortes e ferimentos associados às manifestações, enfatizando a necessidade de investigação e responsabilização dos envolvidos.

A escalada da violência chamou a atenção de líderes internacionais. Em Lisboa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, discutiram a situação durante um encontro realizado após o Fórum da Aliança das Civilizações. Montenegro expressou preocupação com os desdobramentos e afirmou que Portugal está comprometido em promover diálogo e conter a crise, defendendo respeito às instituições democráticas.

Em Genebra, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, condenou o uso desproporcional de força por parte da polícia. Ele renovou o apelo por contenção, destacando a importância de evitar mais escalada da violência. Dados da plataforma eleitoral Decidem indicam que, desde o início das manifestações em 21 de outubro, 67 pessoas morreram e 210 ficaram feridas, incluindo casos de ferimentos por armas de fogo.

As Nações Unidas reforçaram a necessidade de resolver os desafios de Moçambique de maneira pacífica, com respeito ao funcionamento das instituições e aos valores democráticos. A ONU permanece atenta à situação, acompanhando os desdobramentos e os esforços para restaurar a estabilidade no país.

*Com informações da ONU News.


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