Imprensa italiana detalha vida de Carla Zambelli em Roma e desafios para extradição

A prisão da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) em Roma, noticiada na terça-feira (30/07/2025), repercutiu amplamente na imprensa italiana, que detalhou sua rotina no país antes da captura e destacou os desafios jurídicos da extradição. Procurada pela Interpol desde maio, Zambelli foi condenada no Brasil a 10 anos de prisão pelo envolvimento na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Período em Roma e captura pela Interpol

Segundo o Corriere della Sera, a parlamentar fugiu do Brasil em 25 de maio, passando por Argentina e Estados Unidos, até se estabelecer em Roma. A polícia italiana, em coordenação com a Interpol, localizou Zambelli em um apartamento na capital, após denúncia do deputado ecologista Angelo Bonelli, conforme reportou a emissora pública RAI.

O La Repubblica caracterizou o período da deputada na Itália como uma “clandestinidade dourada” e publicou declarações de Zambelli antes da prisão: “Sou inocente, não tenho nada a esconder. Fui condenada por motivos políticos. Vim para a Itália porque sou italiana e gostaria de continuar a viver aqui.”

Repercussão política e laços com Bolsonaro

A imprensa italiana também destacou a proximidade de Zambelli com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Corriere della Sera, a parlamentar chegou a afirmar à CNN Brasil: “Tenho passaporte italiano. Sou intocável na Itália. Não podem me extraditar de um país do qual sou cidadã.”

O caso ganhou dimensão política na Europa, com jornais como La Repubblica publicando matérias sobre conexões entre a extrema direita italiana e o bolsonarismo, incluindo títulos como “Salvini quer se encontrar com a brasileira Zambelli” e “Todos os laços da Liga com o bolsonarismo”.

Obstáculos legais para a extradição

A agência ANSA e a RAI destacaram que o processo de extradição pode enfrentar entraves jurídicos devido à cidadania italiana da parlamentar, que exige avaliação pelo sistema judicial do país.

O Ministério da Justiça italiano, sob comando de Matteo Piantedosi, confirmou que iniciou investigações conjuntas com autoridades de Roma em junho, após solicitação formal de extradição feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) via embaixada em Roma.

Zambelli segue detida provisoriamente, enquanto a Itália avalia o pedido brasileiro com base em tratados internacionais e na legislação local, em um processo que pode levar meses para ser concluído.

*Com informações da RFI.


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