Bolsa supera 184 mil pontos, dólar permanece estável e alta do ouro reflete cenário de incerteza global

O mercado financeiro brasileiro encerrou a quarta-feira (28/01/2026) com novo recorde histórico. O Ibovespa superou os 184 mil pontos, enquanto o dólar manteve estabilidade, no menor nível em quase dois anos. No cenário internacional, o ouro atingiu cotações inéditas, impulsionado por incertezas econômicas, políticas e geopolíticas.

O índice Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, fechou aos 184.691 pontos, com alta de 1,52% no dia. Em apenas duas semanas, o índice acumula valorização de 11,83%, registrando recorde em oito das últimas 11 sessões.

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou cotado a R$ 5,206, praticamente estável em relação ao dia anterior (27/01/2026). Ao longo do pregão, a moeda oscilou entre R$ 5,17 e R$ 5,22, refletindo ajustes técnicos e movimentos de compra após quedas recentes.

Decisões de juros impulsionam os mercados

A cotação atual representa o menor valor desde (28/05/2025). Em 2026, o dólar acumula queda de 5,16%, acompanhando o fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil.

O desempenho positivo foi influenciado pela manutenção das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, decisão já esperada pelo mercado e interpretada como sinal de estabilidade monetária.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária manteve a Taxa Selic em 15% ao ano, mas indicou a possibilidade de início do ciclo de cortes a partir de março. A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos favorece a entrada de recursos externos, contribuindo para a valorização dos ativos locais e para a manutenção do dólar em patamar mais baixo.

Ouro atinge máximas históricas no mercado internacional

Enquanto os mercados acionários avançam, o ouro alcançou recordes históricos. Na tarde da quarta-feira (28/01/2026), a onça troy era negociada em torno de US$ 5.280, chegando a US$ 5.326, a maior cotação já registrada no mercado à vista.

Nos últimos 12 meses, o metal acumulou valorização superior a 90%. Apenas em 2026, o avanço é de aproximadamente 22%, após a superação inédita do patamar de US$ 5 mil.

A elevação dos preços reflete o aumento da demanda por ativos considerados reserva de valor, em um ambiente marcado por instabilidade econômica e geopolítica.

Incertezas globais e política econômica dos Estados Unidos

A trajetória de alta do ouro se intensificou a partir de janeiro de 2025, quando a cotação girava em torno de US$ 2,7 mil. Desde então, o preço praticamente dobrou, acompanhando o aumento das tensões comerciais e políticas internacionais.

A política econômica dos Estados Unidos, marcada por tarifas comerciais e medidas protecionistas, ampliou a percepção de risco nos mercados globais. Esse ambiente tem levado investidores a buscar proteção em metais preciosos, como ouro e prata.

Além disso, conflitos geopolíticos persistentes, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, reforçam o movimento de busca por ativos considerados mais seguros em momentos de instabilidade.

Busca por proteção e diversificação de investimentos

A valorização do ouro está associada à migração de investidores e governos em direção a ativos que preservem valor ao longo do tempo. Embora bancos centrais também estejam ampliando suas reservas, a pressão principal vem do mercado financeiro, que busca reduzir a exposição à volatilidade.

A prata segue movimento semelhante. Em um ano, a onça troy saltou de US$ 30 para cerca de US$ 115, evidenciando a ampliação da demanda por metais preciosos como estratégia de diversificação.

No entendimento de analistas, o ouro deixou de ser apenas um instrumento de proteção e passou a ocupar espaço relevante também como ativo de rentabilidade, diante da magnitude da valorização recente.

Aumento das reservas de ouro no Brasil

No Brasil, o Banco Central ampliou significativamente as reservas de ouro. Em janeiro de 2025, o país possuía 129,7 toneladas do metal, volume que subiu para 172,4 toneladas em dezembro, representando um crescimento de 33%.

Em termos financeiros, o valor das reservas passou de US$ 11,7 bilhões para US$ 23,9 bilhões no mesmo período. A participação do ouro nas reservas internacionais aumentou de 3,6% para 6,7%, dentro de um total superior a US$ 358 bilhões.

Esse movimento reflete tanto o aumento físico das reservas quanto a forte valorização do metal no mercado internacional.

Impactos no dólar e no mercado global

A alta do ouro ocorre paralelamente a uma perda de força do dólar no cenário internacional. Indicadores que medem o desempenho da moeda norte-americana mostram queda significativa desde janeiro de 2025.

No Brasil, o reflexo é a desvalorização do dólar frente ao real, com recuo de 11% nos últimos 12 meses. Em 2026, a queda acumulada é de aproximadamente 5,5%, levando a moeda ao menor patamar em cerca de 20 meses.

Além dos fatores conjunturais, o elevado nível de endividamento de diversos países também contribui para a diversificação de investimentos em ativos reais, como os metais preciosos.

*Com informações da Agência Brasil.


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