As empresas estatais federais brasileiras registraram lucro líquido de R$ 136,3 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, valor 22,5% superior ao observado no mesmo período de 2024. O faturamento total alcançou R$ 1,017 trilhão, crescimento de 6,3% na comparação anual, conforme dados divulgados na quinta-feira (29/01/2026) no Boletim Trimestral da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
O levantamento consolida o desempenho financeiro das companhias controladas pela União e indica ampliação simultânea de receitas, lucro e investimentos ao longo do ano.
No mesmo intervalo, as estatais distribuíram R$ 65,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, sendo R$ 33 bilhões destinados à União e R$ 32,1 bilhões aos demais acionistas, reforçando a participação dessas empresas na composição das receitas públicas.
Resultados operacionais e desempenho financeiro
O boletim reuniu informações de 39 das 44 estatais federais existentes, número condicionado à homologação dos balanços contábeis até o fechamento do relatório. Cinco companhias não tiveram dados consolidados no período analisado.
Entre as 27 estatais classificadas como não dependentes do Tesouro, 24 divulgaram demonstrações financeiras até setembro. Vinte e uma registraram lucro e três apresentaram prejuízo, mantendo predominância de resultados positivos no grupo.
Integram essa categoria empresas de grande porte e relevância econômica, como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Dataprev, Correios e Serpro, responsáveis por operações nos setores de energia, crédito, tecnologia, logística e serviços bancários.
Investimentos e expansão de projetos
Os investimentos totais somaram R$ 86,4 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, representando crescimento de 34,3% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo o ministério, trata-se do terceiro ano consecutivo de expansão dos aportes.
De acordo com a pasta, entre 2022 e 2024 os investimentos já haviam aumentado 87% em termos nominais, indicando continuidade de projetos estruturantes em infraestrutura, modernização tecnológica e ampliação de serviços públicos.
O aumento dos desembolsos ocorreu paralelamente ao avanço do lucro, sinalizando capacidade operacional para sustentar expansão, distribuir dividendos e manter equilíbrio financeiro.
Estatais dependentes e uso de recursos do Tesouro
Entre as 17 estatais dependentes do Tesouro Nacional, que recebem repasses orçamentários para custear despesas operacionais, destacam-se empresas ligadas à saúde pública e à pesquisa agropecuária.
Nesse grupo estão a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com atuação voltada ao atendimento especializado e à produção científica.
Juntas, essas instituições absorvem mais de 70% das subvenções federais destinadas às estatais dependentes, concentrando recursos voltados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao suporte técnico ao setor agrícola.
Pendências na consolidação dos dados
O boletim do terceiro trimestre não incluiu informações de cinco companhias que não homologaram seus resultados no Sistema de Informações das Estatais (Siest) até a data de elaboração do documento.
Ficaram de fora Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), Ceagesp, Ceasa Minas, Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) e Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).
Segundo a secretaria, os dados poderão ser incorporados em relatórios posteriores após validação contábil, mantendo a atualização periódica do acompanhamento fiscal e operacional.
*Com informações da Sputnik News.








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