Centralização do tratamento de hemofilia em Salvador provoca deslocamentos de pacientes e mobiliza vereadores em Feira de Santana

A centralização do tratamento de hemofilia em Salvador tem obrigado pacientes de municípios do interior da Bahia a realizar deslocamentos periódicos para receber medicamentos e procedimentos necessários ao controle da doença. A situação foi discutida na Câmara Municipal de Feira de Santana, durante a sessão desta quarta-feira (23/09/2026), quando vereadores solicitaram providências para ampliar o atendimento nos municípios de origem dos pacientes.

A questão foi apresentada pelo vereador Jorge Oliveira (PRD), que relatou as dificuldades enfrentadas por pessoas com hemofilia que precisam viajar mensalmente para realizar a reposição de fatores de coagulação. Segundo o parlamentar, moradores de cidades como Barreiras enfrentam deslocamentos até Salvador para acessar o tratamento.

Durante o discurso, Jorge Oliveira defendeu que o atendimento seja disponibilizado nos municípios onde os pacientes residem, incluindo Feira de Santana. O vereador também questionou a ausência desse serviço na segunda maior cidade da Bahia e solicitou maior atenção da gestão estadual às necessidades dessa população.

Tratamento concentrado em hemocentros

A hemofilia é uma doença caracterizada pela deficiência ou ausência de determinados fatores de coagulação do sangue, o que pode provocar sangramentos prolongados. O tratamento envolve, entre outras medidas, a reposição dos fatores ausentes, como o Fator VIII e o Fator IX, conforme a necessidade clínica de cada paciente.

O vereador Professor Ivamberg (PT) explicou que a distribuição dos medicamentos na Bahia ocorre de forma concentrada por meio dos hemocentros. Ele citou a atuação da Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba), que passa por ampliação para atender às demandas relacionadas ao tratamento.

Segundo Ivamberg, a assistência depende de estrutura e tecnologia específicas. O parlamentar também defendeu a necessidade de esclarecer as responsabilidades entre o Governo do Estado e os municípios no fornecimento dos hemoderivados utilizados no tratamento da hemofilia.

Responsabilidades entre Estado e municípios

Durante a discussão, Professor Ivamberg levantou questionamentos sobre o fluxo de solicitação e distribuição dos medicamentos. Para ele, é necessário verificar se cabe ao Estado realizar o transporte dos hemoderivados até os municípios ou se as administrações municipais devem requerer os produtos para garantir a continuidade do atendimento.

A definição desse fluxo pode influenciar diretamente a rotina dos pacientes, especialmente daqueles que vivem em cidades distantes dos centros de referência. A regularidade no acesso aos fatores de coagulação é um dos pontos centrais do debate, considerando a necessidade de acompanhamento e tratamento contínuos.

Jorge Oliveira reforçou que a assistência deve ser organizada de forma a reduzir os deslocamentos e assegurar que os pacientes recebam atendimento próximo de suas residências. O vereador cobrou a participação dos diferentes níveis de governo na estruturação da rede de atenção à hemofilia.

Feira de Santana enfrenta dificuldade para contratar hematologistas

A vereadora Lu de Ronny (PV) informou que conversou com o secretário Municipal de Saúde, Rodrigo Matos, sobre as dificuldades relacionadas ao atendimento de pessoas com hemofilia. Segundo o relato apresentado na Câmara, o gestor afirmou que a pasta acompanha a situação, mas enfrenta obstáculos para contratar médicos hematologistas.

A dificuldade estaria relacionada à escassez de profissionais especializados em hematologia, área responsável pelo diagnóstico, acompanhamento e tratamento de doenças do sangue, incluindo os distúrbios da coagulação.

Ainda conforme a informação compartilhada pela vereadora, a Secretaria Municipal de Saúde planeja inserir hematologistas em Unidades de Saúde da Família (USFs) e policlínicas, com o objetivo de ampliar a oferta de atendimento especializado na rede pública municipal.

Descentralização é apontada como medida para ampliar o acesso

A proposta de descentralizar o tratamento busca aproximar os serviços de saúde dos pacientes que vivem no interior da Bahia. Para os vereadores que participaram do debate, a concentração dos atendimentos em Salvador representa uma dificuldade adicional para pessoas que precisam realizar viagens regulares em busca de medicamentos e acompanhamento médico.

A discussão também envolve a necessidade de articulação entre os serviços municipais e estaduais, a disponibilidade de profissionais especializados e a estrutura dos hemocentros responsáveis pela distribuição dos fatores de coagulação.

Até o momento, as informações apresentadas na sessão da Câmara Municipal não detalham um cronograma para a implantação de novos pontos de atendimento ou a ampliação da distribuição dos medicamentos em Feira de Santana e outras cidades do interior.

O debate reforça a necessidade de avaliar a organização da assistência hematológica na Bahia, considerando as distâncias percorridas pelos pacientes, a oferta de especialistas e os procedimentos necessários para garantir a continuidade do tratamento da hemofilia.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading