O Exército de Israel intensificou nesta segunda-feira (28/09/2026) as operações militares no sul do Líbano, com registros de bombardeios aéreos, ataques de artilharia, explosões e demolições de imóveis em diferentes localidades. A ofensiva ocorreu um dia após um discurso do líder do Hezbollah, Naïm Qassem, no qual ele voltou a rejeitar o desarmamento do grupo.
Segundo informações apresentadas na reportagem, aviões, drones e helicópteros israelenses realizaram operações em cerca de 15 localidades, ao sul e ao norte do rio Litani. Também foram registradas explosões de casas e outras estruturas, além de sobrevoos de aeronaves e drones de reconhecimento.
A escalada ocorre em meio a um cenário de tensão entre Israel, o Hezbollah e o governo libanês. Um acordo-quadro firmado em junho estabeleceu uma estrutura para reduzir o conflito, mas o desarmamento do Hezbollah e a retirada das forças israelenses do território libanês permanecem entre os principais pontos de divergência.
Discurso de Naïm Qassem antecedeu nova escalada
No domingo (27/09/2026), Naïm Qassem fez um discurso televisionado durante uma cerimônia relacionada ao aniversário das mortes de Hassan Nasrallah e Hachem Safieddine, antigos líderes do Hezbollah mortos em setembro de 2024.
Durante a fala, Qassem voltou a defender a continuidade da chamada “resistência” contra Israel e rejeitou o desarmamento do Hezbollah. O líder do grupo também criticou autoridades libanesas e pediu o encerramento das negociações com Israel.
A posição do Hezbollah sobre o desarmamento está no centro das negociações entre Israel e Líbano. O grupo rejeita a vinculação entre a retirada das forças israelenses e a entrega de suas armas, enquanto Israel mantém o desarmamento como uma das condições para o avanço do processo de segurança.
Mansouri registra explosões e demolições
Entre as localidades atingidas está Mansouri, no sul do Líbano, onde ocorreu uma grande explosão durante a intensificação das operações israelenses. Segundo o relato apresentado, colunas de fumaça foram observadas na área e as detonações puderam ser ouvidas em Tiro, cidade localizada a cerca de dez quilômetros.
Mansouri já estava parcialmente sob controle de forças israelenses após os confrontos anteriores. Em agosto, moradores receberam ordens para deixar a localidade e, posteriormente, a área passou a ser ocupada pelas forças israelenses, segundo o relato utilizado na reportagem.
A situação de Mansouri também aparece em relatos anteriores sobre a região. Em agosto, moradores receberam ordens de deslocamento diante de novas operações israelenses, enquanto as negociações entre Israel e Líbano continuavam.
Conflito permanece apesar de acordos de cessar-fogo
O atual ciclo de confrontos entre Israel e Hezbollah se intensificou em março de 2026, quando o grupo libanês voltou a realizar ataques contra Israel. A resposta israelense incluiu bombardeios aéreos e operações terrestres no território libanês.
Os confrontos foram posteriormente reduzidos após entendimentos envolvendo Estados Unidos e Irã e, em junho, após a construção de um acordo-quadro entre Líbano e Israel. O entendimento prevê uma sequência de medidas relacionadas à segurança, ao desarmamento de grupos armados e à retirada gradual das forças israelenses.
Apesar do acordo, ataques israelenses continuaram sendo registrados no sul do Líbano, assim como operações de demolição e deslocamento de moradores. O governo libanês tem defendido um cronograma para a retirada das forças israelenses, enquanto Israel condiciona o processo ao desarmamento do Hezbollah.
Divergências envolvem Israel, Hezbollah e governo libanês
O governo do Líbano defende que as armas estejam exclusivamente sob controle do Estado e que as decisões relacionadas à guerra e à paz sejam tomadas pelas instituições oficiais. O primeiro-ministro Nawaf Salam também tem defendido a retirada israelense do território libanês como parte do processo de estabilização.
O Hezbollah, por sua vez, mantém a rejeição ao desarmamento nas condições estabelecidas nas negociações. Naïm Qassem tem criticado a vinculação entre a retirada israelense e o desarmamento do grupo, posição que permanece como um dos principais obstáculos ao avanço das negociações.
A intensificação dos ataques nesta segunda-feira ocorre, portanto, em um contexto de negociações inconclusas, presença militar israelense em áreas do sul do Líbano e divergências sobre o futuro das armas do Hezbollah. A continuidade das operações mantém a região sob tensão enquanto as partes discutem a implementação do acordo firmado em junho.
*Com informações da RFI e Sputnik News.








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