“Minha família toda se mudou por um sonho”, afirma a jogadora ao recordar os primeiros anos da trajetória.
A mãe, Luanna, acompanhou inicialmente a filha e os outros dois filhos em São Paulo, enquanto o pai permaneceu em Cuiabá para trabalhar e sustentar a família. A mudança exigiu planejamento, adaptação e a busca por oportunidades em um cenário no qual o futebol feminino ainda encontrava barreiras de acesso.
Para Sarinha, a presença na Seleção Brasileira representa não apenas a realização de um objetivo pessoal, mas também uma forma de reconhecer os esforços dos familiares. “O meu propósito hoje no futebol é dar orgulho para eles”, explica. A atleta atribui aos pais e aos irmãos parte fundamental das conquistas alcançadas desde o início da formação esportiva.
Primeiros passos de Sarinha no futebol feminino
O interesse de Sarinha pelo futebol surgiu nas brincadeiras com o pai e o tio Joelson. Segundo a jogadora, a decisão de seguir carreira veio ainda na infância, quando comunicou aos pais que queria ser atleta profissional. A família apoiou a escolha e começou a procurar espaços para que ela pudesse treinar.
Natural de Cuiabá, Sarinha iniciou a prática esportiva aos seis anos, no futsal da escola. Naquele período, a oferta de atividades destinadas às meninas era limitada. Algumas escolinhas procuradas pelos pais não aceitavam participantes do sexo feminino, o que obrigou a família a insistir na busca por oportunidades.
A primeira experiência em uma estrutura de formação ocorreu na Associação de Cabos e Soldados (ACS). Depois, Sarinha também passou a jogar na escola onde estudava, sendo a única menina entre os participantes. Ela relata que, inicialmente, enfrentou resistência de alguns colegas, mas que o convívio e a evolução técnica contribuíram para ampliar o respeito dentro do grupo.
Apoio familiar levou a atleta de Cuiabá para São Paulo
Quando Sarinha tinha entre oito e nove anos, a família começou a procurar oportunidades fora de Mato Grosso. A mãe, Luanna, pesquisou centros de formação e identificou no Centro Olímpico, em São Paulo, uma possibilidade de continuidade para a carreira da filha.
A primeira avaliação foi planejada como uma viagem curta, de três dias. Sarinha passou pela etapa inicial e precisou permanecer na cidade para participar de uma segunda avaliação. A família conseguiu reorganizar a estadia, e a atleta foi aprovada. O resultado abriu caminho para a mudança que marcaria os anos seguintes de sua formação.
Sarinha permaneceu no Centro Olímpico entre 2019 e 2021. Depois, passou pelo projeto Meninas em Campo. Aos 12 anos, recebeu um convite para integrar as categorias de base do São Paulo, após reencontrar um treinador com quem havia trabalhado anteriormente. A decisão exigiu novo planejamento familiar, especialmente porque a mãe estava grávida e o pai precisou permanecer em Cuiabá para garantir a renda da casa.
Títulos no São Paulo e convocação para a Seleção Brasileira
No São Paulo, Sarinha conquistou títulos nas categorias Sub-15 e Sub-17. A formação no clube paulista contribuiu para sua evolução técnica e competitiva e abriu caminho para as primeiras convocações para as seleções brasileiras de base.
A primeira convocação ocorreu em 2025, para a equipe Sub-15. Naquele ano, a volante participou da campanha que levou o Brasil ao título inédito da CONMEBOL Liga Evolución Sub-15, disputada no Paraguai. Sarinha foi capitã da equipe na competição, encerrada com vitória brasileira sobre a Argentina nas cobranças de pênaltis.
Em 2026, a atleta também conquistou o título sul-americano da categoria Sub-17, conforme o relato de sua trajetória. As experiências internacionais ampliaram sua participação nas seleções de base e contribuíram para a preparação para desafios de maior alcance, entre eles a disputa da Copa do Mundo no Marrocos.
Recuperação de lesão antecedeu convocação para o Mundial
A convocação para a Copa do Mundo Sub-17 ganhou significado especial após Sarinha passar por um período de recuperação física. A volante ficou aproximadamente três meses sem jogar por causa de uma lesão e precisou retomar a preparação para voltar a competir.
A inclusão na lista final da treinadora Rilany representou a conclusão de uma etapa de recuperação e treinamento. A jogadora descreveu a convocação como um momento de emoção e agradeceu pelo apoio recebido durante o período em que esteve afastada dos gramados.
A participação no Mundial também representa uma oportunidade de colocar em prática a experiência acumulada nos clubes e nas seleções de base. Para Sarinha, a preparação envolve tanto os aspectos técnicos quanto a capacidade de enfrentar adversárias com características e estilos de jogo diferentes.
Brasil enfrenta a Noruega em busca de classificação
Na programação informada pela reportagem, o Brasil enfrentaria a Noruega no sábado (24/10/2026), às 12h, pelo horário de Brasília, em partida decisiva para a classificação à próxima fase da Copa do Mundo Sub-17, no Marrocos.
Sarinha aponta a competitividade como uma das características que podem contribuir para o desempenho da equipe brasileira. Na avaliação da volante, a mentalidade coletiva, a disposição física e a capacidade de manter a intensidade durante as partidas podem ser determinantes diante das seleções adversárias.
“Acho que o nosso maior poder é a nossa mentalidade, o jeito como competimos com as outras seleções”, afirma. A atleta destaca que a equipe precisa manter a concentração e a disposição para competir em busca do objetivo de avançar no torneio.
Sarinha destaca a importância de inspirar outras meninas
Além dos resultados esportivos, Sarinha considera importante a possibilidade de servir de referência para outras meninas interessadas em jogar futebol. A experiência de ter enfrentado dificuldades para encontrar espaços de treinamento contribui para sua percepção sobre a importância da ampliação das oportunidades no esporte feminino.
A volante afirma que também encontrou inspiração em outras jogadoras e entende que a presença de atletas em competições de alto nível pode incentivar novas gerações. Para ela, a troca de referências entre meninas ajuda a fortalecer o futebol feminino e a ampliar a participação no esporte.
A trajetória iniciada nas ruas de Cuiabá, continuada em projetos de formação e consolidada nas categorias de base do São Paulo e da Seleção Brasileira reúne desenvolvimento esportivo e apoio familiar. Aos 16 anos, Sarinha chega ao Mundial Sub-17 com a possibilidade de ampliar sua experiência internacional e dar continuidade ao projeto que mobilizou toda a família desde a infância.








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