Brasil crescerá menos que vizinhos do Mercosul em 2010, diz Cepal

A Cepal estima que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010 será de 7,7%. O crescimento será inferior ao de todos os outros membros do Mercosul – segundo o órgão, o Paraguai crescerá 9,7%, o Uruguai, 9%, e a Argentina, 8,4%.

Na América do Sul, o desempenho do Brasil também será inferior ao do Peru, cuja economia deve se expandir 8,6%.

Os países com maior retração econômica na América Latina em 2010 serão o Haiti (-7%), que se recupera de um terremoto devastador ocorrido janeiro, e a Venezuela (-1,6%).

Em 2011, Peru e Chile devem ter o maior crescimento econômico da América do Sul, com 6%.

Os dois países são os maiores exportadores de cobre do mundo e têm acordos de livre comércio com vários países, entre eles a China.

A economia brasileira deve crescer 4,6% no ano que vem, ficando atrás do Uruguai (5%) e da Argentina (4,8%).

Os dados fazem parte do Balanço preliminar das economias da América Latina e do Caribe 2010 e Perspectivas para 2011.

No documento, divulgado em Santiago nesta segunda-feira, a Cepal prevê que a economia da região em conjunto crescerá 6% neste ano e 4,2% em 2011.

Os resultados previstos para 2010 estão ligados à recuperação da maioria das economias em relação à retração conjunta de 1,9% em 2009, de acordo com o organismo internacional.

Neste ano o desemprego na região deve cair para 7,6% – em 2009, a taxa era de 8,2%.

Paraguai

Líder no crescimento econômico deste ano, o incremento do PIB do Paraguai é influenciado diretamente pelo aumento das exportações de soja e de carne – setores que contam com forte presença de produtores brasileiros que vivem no país.

O ministro paraguaio da Fazenda, Dionísio Borda, disse à BBC Brasil que o desafio é continuar implementando medidas para “distribuir melhor essa riqueza”.

A Cepal prevê, porém, que a economia paraguaia terá crescimento de 4% no ano que vem, abaixo dos 4,2% estimados para a região.

Preocupações

O principal risco para a América Latina e o Caribe, diz a Cepal, passou a ser a inflação, que subiu de 4,7% no ano passado para estimados 6,2% em 2010.

“O ritmo (inflacionário) começou a aumentar, de forma geral, nos países devido ao incremento dos preços internacionais dos alimentos (especialmente cereais, carne e açúcar) e dos combustíveis”, afirma o documento.

A Cepal ainda destaca, em seu documento anual, a preocupação com a valorização das moedas locais.

Entre todas as moedas da região, o real teve a maior valorização (13,6%) nos primeiros nove meses de 2010.

A comissão destaca que a boa saúde atual das economias da região reflete o aumento dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) e o aumento das reservas dos bancos centrais.

As estimativas mais cautelosas para 2011, afirma a Cepal, estão ligadas “à desaceleração da economia mundial e seu impacto nos fluxos de comércio”, o que já começou a se observar no terceiro trimestre de 2010.

“Em síntese, pode-se afirmar que, do ponto de vista macroeconômico, o desafio da região será reconstruir sua capacidade de ações contracíclicas e continuar criando condições para o desenvolvimento produtivo que não seja baseado na exportação de bens básicos”, diz a comissão.

*Com informações da BBC Brasil.


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