Nesta quarta-feira, 13/04/2016, a então presidenta Dilma Rousseff reuniu-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do núcleo político do governo para avaliar o impacto da decisão do Partido Progressista (PP) de orientar sua bancada majoritariamente a favor do processo de impeachment. O encontro, realizado no Palácio da Alvorada, ocorreu em meio à intensificação das articulações no Congresso Nacional, poucos dias antes da votação decisiva na Câmara dos Deputados, prevista para o domingo (17).
A decisão do PP de abandonar a base aliada e apoiar o impeachment foi interpretada pelo governo como um movimento relevante, mas não necessariamente decisivo. Segundo avaliação interna, no cenário mais pessimista, a debandada representaria a perda de cerca de dez votos, enquanto projeções mais otimistas indicavam impacto de apenas cinco parlamentares.
Até a véspera da reunião, o Palácio do Planalto trabalhava com a estimativa de que 213 deputados votariam contra o impeachment, conforme declaração do então ministro-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Jaques Wagner. Esse número era considerado suficiente para barrar o avanço do processo na Câmara, que exigia maioria qualificada para aprovação.
Articulação política e incertezas
Apesar de não ter sido completamente inesperada, a posição do PP não vinha sendo amplamente antecipada pelos articuladores do governo. O presidente da legenda, Ciro Nogueira, confirmou a decisão de entregar os cargos ocupados na administração federal, mas afirmou que não haveria punição interna para parlamentares que optassem por divergir da orientação majoritária.
No mesmo contexto, os deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Ricardo Barros (PR) participaram de reunião com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, em uma tentativa de manter canais de diálogo e minimizar perdas adicionais na base aliada.
Sinais mistos entre aliados
O governo também monitorava movimentações em outros partidos. A postura do PRB, favorável ao impeachment, já era considerada esperada pela equipe política. Em contrapartida, a sinalização do novo líder do PR, Aelton Freitas (MG), foi interpretada como um elemento positivo.
Freitas indicou que não haveria necessidade de imposição de “fechamento de questão” dentro do partido, o que poderia permitir uma maioria de votos contrários ao impeachment entre os parlamentares da legenda. A leitura no Planalto era de que esse posicionamento preservava margens de negociação em um cenário altamente volátil.
Ambiente de pressão e definição iminente
A reunião entre Dilma, Lula e ministros ocorreu em um contexto de forte pressão política e institucional. A proximidade da votação na Câmara intensificava as articulações, com o governo buscando consolidar apoios enquanto a oposição ampliava esforços para garantir os votos necessários ao prosseguimento do processo.
O cálculo de votos tornava-se, naquele momento, o principal indicador de viabilidade política, com margens estreitas e elevado grau de incerteza quanto ao comportamento final das bancadas.








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