Cresce para 37 milhões o número de pobres nos EUA

O instituto de estatística oficial do Governo norte-americano, o Census Bureau (equivalente ao IBGE no Brasil), acaba de divulgar os dados populacionais referentes ao ano de 2005. As conclusões deste mais recente perfil da sociedade nos EUA apresentam informações extraordinárias para se aquilatar o tipo de desenvolvimento em curso na maior economia do mundo. Por exemplo: de acordo com o documento do Census Bureau, que considera os quatro anos que se seguiram ao ano de 2001 como um período de expansão econômica, a porcentqagem do número de pessoas consideradas pobres foi maior (12,6%) que a porcentagem verificada no pior período de recessão econômica em 2001, quando se constatou 11,7%. O número de pobres nos EUA chega a 37 milhões de pessoas.

Esta não é a conclusão mais dramática, pois o instituto norte-americano divulgou também que de 12 referências alternativas de pobreza, apenas uma delas não apresentou índices piores que os anteriores. Estes referenciais alternativos recomendados pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos indicam o índice de pobreza em 14,1% ou seja 41,3 milhões de americanos pobres, 4,4 milhões a mais do que os oficialmente apurados pelo Census Bureau. Estes dados mais elevados indicam que milhões de norte-americanos não estão sendo considerados pela burocracia estatal como sendo pobres, passíveis então de serviços públicos orientados para a assistência social.

A medição do censo oficial sobre a pobreza nos EUA afere basicamente se uma família tem um mínimo de renda, além de eventuais benefícios sociais para as necessidades básicas. Os critérios da Academia Nacional de Ciências são mais complexos, captando um conjunto de situações familiares que envolvem as despesas médicas, as despesas com a educação das crianças etc. Eles levam em conta inclusive as diferenças regionais de custo de vida e em que medida estas famílias não tenham capacitação de ter acesso às necessidades da vida moderna.

Existe um movimento entre os congressistas norte-americanos que pretendem fazer com que o Census Bureau passe a adotar os critérios mais rigorosos da Academia de Ciências, o que teria reflexos diretos nas políticas públicas do Estado norte-americano. Qualquer medida deste tipo, entretanto, não poderá reverter uma tendência brutal de concentração de renda inerente ao sistema capitalista-imperialista agravado pela política reacionária e militarista do atual Governo de George W. Bush. Um importante sintoma de como Bush pretende continuar aplicando sua política de restrição democrática e de ampliação do intervencionismo em polítca externa é o que está sendo chamado de Orçamento Insano: a proposta de orçamento para o próximo ano a ser enviado pelo executivo ao Congresso contempla os gastos com defesa com cerca de 790 bilhões de dólares, ou quase todo o PIB brasileiro apurado em 2006.


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