Brasil é o país da democracia relativa

A democracia é considerada, por muitos, como o modelo político que propicia se não a melhor, pelo menos a mais tolerável forma de governo no mundo hodierno. Parte-se do pressuposto ser este sistema o que melhor atende os anseios da coletividade. Mas o que constatamos no dia-a-dia dos brasileiros é que aqui a população convive com grandes distorções de cunho social.

Convivemos com o que se convencionou a chamar de democracia relativa, modelo que funciona para poucos privilegiados de nossa sociedade. A lei não é aplicada de forma indistinta, ela varia de acordo com os interesses e o poder aquisitivo das pessoas. O que torna esta democracia não recomendável para a prática e o exercício da boa convivência social o que pode nos conduzir a passos largos, para a anarquia geral. Sabemos que a virtude e o bom senso das pessoas são conseqüências que têm como resultado o equilíbrio com que os cidadãos interagem e se relacionam um com os outros. Quando este equilíbrio não é observado, resta os extremos e estes nos conduzem ao sectarismo social, o que é considerado altamente desaconselhável.

Por isso entendo que determinados abusos cometidos em nome da tão propalada “liberdade” devem ser cuidadosamente observados por parte das autoridades constituídas. O que quero expressar com esta observação é que a greve utilizada pela classe dos trabalhadores é questionável quando um direito de uma minoria se sobrepõe aos interesses da significativa maioria, podemos citar como exemplo no caso atual a greve dos professores: como se explica que a ação de uma minoria organizada possa prejudicar toda uma sociedade composta de milhões de pessoas? Há algo de podre no reino da Bahia. Entendo ser a democracia um modelo político que em tese, deve prevalecer o direito da maioria, embora na prática não é o que está acontecendo.

Como pode segmentos considerados vitais para o bom funcionamento da sociedade como a saúde, educação e segurança pública se tornarem moeda de barganha na eterna queda de braço entre eles e o poder do Estado. Quando isso acontece quem paga o alto preço e as conseqüências destes atos, nem sempre justificáveis, é a população.

Também por serem estes segmentos importantes para o bom funcionamento e a harmonia da sociedade é que os seus profissionais devem ser regiamente bem pagos, mas os seus excessos combatidos. Quanto à costumeira alegação dos políticos de não disporem de recursos para arcar com tais despesas, o problema é de fácil solução. Basta que eles combatam com mais eficiência a corrupção generalizada no país e muitas vezes até mesmo em seus gabinetes, e passem a dar prioridades nos gastos públicos.

A significativa maioria da população não pode nem deve ser atrelada a interesses de quem quer que seja. A prática da democracia real subentende o direito da maioria de se sobrepor ao da minoria. Caso a sua praxe seja invertida deixa de ser um modelo considerado, na sua essência, como democrático.


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