UFBA: crise de transformação | Por Emiliano José

Há um livro cuja leitura recomendaria a todos quantos queiram compreender como agem os setores conservadores, à direita e à esquerda, quando situações de mudança se apresentam. Não se trata de um texto muito grande, coisa de 150 páginas. É de Albert Hirschman, e leva o título A retórica da intransigência – perversidade, futilidade, ameaça. Quando o reli agora, pude entender melhor a crise de transformação por que passa a universidade brasileira e a UFBA em particular.

Há um momento de mudança na universidade e isso é decorrente de uma nova visão do governo brasileiro. O presidente Lula, desde o primeiro momento, empenhou-se em desenvolver políticas de democratização do ensino superior público, não só ampliando-o fisicamente, mas cuidando de melhorar sua qualidade, promover mudanças pedagógicas profundas e garantir a ampliação do acesso, sobretudo das classes subalternas e de modo mais especial ainda dos afro-descendentes e índios. Essas mudanças provocaram gritarias. À direita e à esquerda.

O conservadorismo instala-se nas instituições de maneira profunda. E por isso ele se manifesta ora com o pensamento nítido de direita, ora revestido de uma fraseologia esquerdista. Sempre, no entanto, disposto a barrar as mudanças. Sob variados recursos discursivos, o que se pretende é não permitir a transformação. O caso da UFBA é este. O conservadorismo insurgiu-se contra a política do governo Lula para a educação superior e contra o reitor Naomar de Almeida Filho, executor ativo, um dos formuladores dessa nova política.

Primeiro, combateram o Prouni. O governo está beneficiando o ensino privado – era a gritaria. Na verdade, um movimento contra a democratização do acesso ao ensino superior. Centenas de milhares de estudantes negros, índios chegaram à universidade, depois de séculos de absoluta exclusão. Foram calados pelos próprios estudantes beneficiados. Gritaram, em outros momentos, contra a criação de novas universidades ou campi, como se as coisas estivessem sendo feita apressadamente e vinha a ameaça da perda da qualidade do ensino. Foram calados pela iniciativa do Governo, inclusive da UFBA, que contribuiu decisivamente para a criação da UFRB e de novos campi em Barreiras e Vitória da Conquista.

Agora, reagem ao Reuni, um novo programa de reestruturação e expansão das universidades brasileiras, que implicará, para a UFBA, contratação de mais de 500 novos professores, mais de 400 servidores técnico-administrativos, abertura de mais de 2.500 vagas noturnas e quase 2000 em cursos diurnos, entre tantos outros processos democratizantes.

A gritaria foi de novo contra a ampliação de vagas, vejam o
contra-senso, o aparente paradoxo. Contra inclusive as vagas nos cursos noturnos.

E sempre com a tese de ameaça. Tudo vai piorar. Não. A Universidade brasileira, sob o governo Lula, está melhorando. Crescendo. E se transformando. Apesar dos conservadores de diversos matizes. Que vão sendo atropelados pelo exercício efetivo da democracia.

A crise é apenas de transformação. A idéia de uma crise institucional faz parte da tese da ameaça. A UFBA está funcionando a pleno vapor. O reitor Naomar, que tem exercido os seus mandatos de forma democrática, obedecendo sempre às orientações da maioria, respeitando a legalidade da instituição, assumindo suas responsabilidades, tem contribuído muito para a consolidação dessa nova fase da Universidade brasileira.


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