Novo Nordeste, nova Bahia | Por Emiliano José

Já houve um momento, na história brasileira, em que o Nordeste era tema quase obrigatório. Discutia-se de modo amplo o destino da região. O debate girava em torno do descompasso entre o desenvolvimento do Centro-Sul e a pobreza nordestina. Às vezes, um debate equivocado, que escamoteava a lógica implacável da acumulação capitalista, que sempre implicou no chamado desenvolvimento desigual e combinado.

Aos equívocos, no entanto, somavam-se vários acertos. A proposta da Sudene, sob a liderança de Celso Furtado, era generosa. Pretendia encontrar um modelo que nos livrasse de tanta miséria, tanta desigualdade. Não está claro, ainda, qual o papel que a Sudene atual, recriada sob o governo Lula, pode cumprir nesse novo estágio da vida nordestina – novo inclusive na política, com a vitória do campo progressista nas últimas eleições para governador.

O que me parece certo é que o Nordeste não é mais o mesmo. As políticas públicas do governo Lula, a industrialização de algumas regiões – entre elas a Bahia –, o desenvolvimento de um forte setor de serviços modernos em algumas áreas, o avanço da agropecuária moderna, a consolidação da agricultura familiar vão conferindo um novo perfil à região, diferente dos tempos de Fabiano, Sinhá Vitória, da cadela Baleia, personagens inesquecíveis de Vidas Secas, do insuperável Graciliano Ramos.

Mais do que tudo, no entanto, as mudanças aconteceram nos corações e mentes dos nordestinos. Os grotões controlados pelos coronéis da política fazem parte do passado. As lideranças autoritárias – do passado ou atuais – não têm mais futuro no Nordeste. Quem quiser se colocar à frente dos destinos regionais tem que estar afinado com o pensamento democrático, com o diálogo. O povo deu esse recado em 2006. Entenda quem puder – se quiser.

O governo Wagner compreendeu essas mudanças. Tem adotado uma política que combine desenvolvimento, distribuição de renda e melhoria de qualidade da vida de seu povo. E participação popular. E transparência. Fortalece a agricultura familiar, desenvolve uma política de possibilitar água para todos e de combater vigorosamente os vergonhosos índices de analfabetismo herdados das políticas oligárquicas. E adota uma bem-sucedida política de atração de investimentos, combinando isso com propostas ousadas de recriação da infra-estrutura baiana, entre as quais a da Ferrovia Leste-Oeste.

Há os que pretendam estabelecer comparações entre Estados nordestinos, como se fosse esse o caminho, e não o da união do Nordeste. No caso da Bahia, cabe, sempre, resgatar a história. Houve uma oligarquia que esteve de costas para o desenvolvimento do Estado – e em todos os campos, inclusive, como se disse, no da infra-estrutura. A nova política de desenvolvimento do Estado vai produzir uma nova Bahia – moderna, mas justa socialmente; crescendo, mas distribuindo renda.


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