Morales nacionaliza petroleira Transredes

Multinacional Shell Gas e a britânica Ashmore detinham 50% das ações da Transrede, que transporta gás natural da Bolívia para o Brasil e a Argentina.

O presidente da Bolívia chegou às instalações da empresa em Santa Cruz, nesta segunda-feira, acompanhado de ministros do gabinete e do alto comando militar, para decretar a nacionalização.

Segundo o decreto, que implica na compra forçada das ações, o governo vai pagar US$ 48 por cada ação.

Na incursão à sede da companhia, o presidente da estatal Yacimentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos nomeou o novo presidente da Transredes e o governo garantiu a estabilidade dos funcionários.

No discurso de nacionalização, Morales acusou a empresa de ter se envolvido em atividades políticas contrárias ao governo.

“Não aceitamos autoridades ou gerentes, ou empresas que venham a conspirar contra a democracia ou contra o governo nacional. Que venham para trabalhar e não para conspirar”, disse ele.

Prazo

A estatização da Transredes faz parte de um pacote de nacionalizações decretado no dia 1º de maio deste ano.

Na ocasião, o governo chegou a um acordo com a empresa Andina, da hispano-argentina Repsol, e deu prazo para que as empresas Chaco, CLHB e Transredes repassassem suas ações até o dia 30 de maio.

O ministro dos Hidrocarburos, Carlos Villegas, explicou que o Estado já detinha 37% das ações da Transredes e aumentou sua participação para 47%, depois de comprar as ações de sócios minoritários. O ministro explicou que a Shell estava disposta a chegar a um acordo, mas isso não foi possível por conta da oposição da Ashmore.

A oposição não vê com bons olhos a nacionalização. O deputado do partido Podemos Fernando Messmer disse que “a tomada física feita pelo governo não pode trazer nada de bom ao país, a não ser acrescentar a incerteza e as dúvidas a respeito da segurança jurídica existente”.

Morales assegurou que o processo de nacionalização do setor continuará até que o governo recupere os recursos naturais que ainda permanecem nas mãos de empresas privadas.

Mas o presidente reconheceu que as empresas petroleiras não estão investindo no país e exigiu às companhias que cumpram seus compromissos.


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