Paquistão marca data para escolha do novo presidente

O novo presidente será escolhido pelas duas câmaras do Parlamento e assembléias provinciais.

De acordo com a legislação paquistanesa, a escolha deve ocorrer dentro de 30 dias a partir da renúncia do general Pervez Musharraf, que aconteceu na segunda-feira, dia 18.

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Charles Haviland, o maior partido no Parlamento, o Partido do Povo do Paquistão (PPP), deverá apoiar o seu atual co-presidente, o viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, Asif Zardari, para presidente.

O PPP está em um governo de coalizão com outros partidos. Haviland afirma que é provável que os partidos pequenos que integram a coalizão apóiem o nome de Zardari, mas não está claro se ele na verdade quer o posto.

Para aceitar o cargo, Zardari teria de se tornar não-partidário, mas ele tem dito publicamente que seu partido precisa dele.

Além disso, segundo Haviland, há uma determinação geral para fazer com que o posto presidencial tenha menos poder, o que o tornaria menos atraente para Zardari.

De qualquer forma, o segundo maior partido do Paquistão, a Liga Muçulmana do Paquistão Nawaz (PML-N, na sigla em inglês), liderada pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, que também faz parte da coalizão governista, quer um outro candidato, de consenso.

Juízes

Além disso, Sharif chegou a ameaçar se retirar da coalizão devido a um outro assunto – seu desejo de que os juízes demitidos pelo ex-presidente Musharraf tenham seu emprego de volta rapidamente.

Mas nesta sexta-feira Sharif concordou em adiar o debate no Parlamento sobre a situação dos juízes para a próxima semana.

Segundo Haviland, Zardari tem razões políticas e pessoais para se opor ao retorno dos juízes.

O PPP teme que o próprio Zardari venha a ser processado se os juízes voltarem a seus postos.

Os juízes, incluindo o presidente da Suprema Corte Iftikhar Chaudhry, poderiam reverter uma anistia polêmica concedida por Musharraf a Zardari e sua mulher Benazir Bhutto, no ano passado, que permitiu que o casal retornasse ao Paquistão.

Musharraf renunciou na segunda-feira depois de nove anos no poder para evitar um impeachment pelo Parlamento, que o acusava de violar a Constituição.

Rivalidade na coalizão

Analistas dizem que apesar de o PPP e o PML-N terem trabalhado juntos para retirar Musharraf do posto, há um histórico de rivalidade intensa e desconfiança entre os dois principais partidos da coalizão governista.

A coalizão foi formada depois das eleições realizadas em fevereiro, mas analistas dizem que o grupo não conseguiu encontrar soluções para a crise econômica do Paquistão e para a ação de militantes nas regiões tribais do noroeste do país, na fronteira com o Afeganistão.

Haviland afirma que as divergências entre os políticos paquistaneses estão dificultando qualquer plano para combater a violência extremista.

O grupo Talebã assumiu responsabilidade por um atentado duplo na quinta-feira à maior fábrica de armas do Paquistão, perto de Islamabad, no qual pelo menos 63 morreram.

O Talebã prometeu realizar mais ataques em áreas urbanas se o Exército não se retirar das áreas tribais.

Na terça-feira, pelo menos 32 pessoas morreram em um ataque suicida em um hospital na cidade de Dera Ismail Khan, no norte do país.


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