Se perguntássemos as pessoas dos diversos segmentos religiosos, quem são os verdadeiros donos do mundo, elas diriam: “Deus, porém o diabo está sempre atrapalhando a obra do Senhor”. Se indagássemos a todas as pessoas que habitam este Planeta, o que seria necessário para que este mundo melhore, com certeza absoluta, todos responderiam: “Paz na Terra”. Teríamos, então, a falsa impressão de que seria muito fácil se resolver os problemas relacionados com a violência existente no Planeta. Paradoxalmente a esses pensamentos, observamos a todo instante monstruosas crueldades como o sequestro, seguido de morte no ABC paulista, da garota Eloá.
Tivemos a infelicidade de acompanhar através dos telejornais, nos últimos dias, o repulsivo comportamento de um rapaz furioso, movido por uma força perversa que ele denominou de: “amor por Eloá”. Esse sentimento malvado o conduziu a cometer diversos atos de violência contra jovens adolescentes indefesas. Esse comportamento crasso levou a óbito sua namorada e também pois em risco, a vida de outra adolescente, perturbando a pseuda tranqüilidade do bairro que foi transformado em uma arena de acontecimentos funestos. E a polícia mais uma vez… por outro lado, o pai da vítima é um anti-herói procurado pela polícia por vários crimes. Que balaio de gatos!!!
Em meio a todo esse turbilhão de emoções – negativas – como se já não bastasse, um sujeito, tido como o principal administrador da boca de fumo do bairro e que se auto-intitula por “Príncipe do Gueto”, vendo seu mercado distribuidor ameaçado – distribuição da maconha – pela quantidade de policiais espalhados por toda região e da imprensa que fazia a cobertura jornalística do episódio, reclama dos prejuízos que o seu negócio estava sofrendo provocado pelo desastroso “Lindemberg”. Desesperado o feroz administrador da boca de fumo deu o ultimato, anunciando que: se o delinqüente – a esta altura detido pela polícia – fosse colocado em liberdade, seria morto imediatamente, por ter atrapalhado a comercialização do seu produto, o que lhe rendeu uma semana de prejuízos reais, não atendendo aos seus clientes.
Na ótica dos religiosos cada personagem dessa trágica história, tem um referencial – alegórico, é claro. Para os Evangélicos, Lindemberg encarna a imagem do diabo e o Príncipe da boca de fumo a cobra que tentou Adão e Eva no paraíso; segundo os Católicos, mais ou menos a mesma coisa, porém Eloá, um anjo sacrificado. Já para os Kardecistas, todos estão resgatando dívidas de uma possível vida passada, sendo Eloá, possivelmente a maior devedora.
Em meio a essa “peleja” entre Deus e o Diabo para “gerir o nosso Planeta”, o que nos dá um fio de esperança é saber que a mãe de Eloá, dona Ana Cristina Pimentel, em um ato soberano distribuiu os órgãos de sua filha para pessoas que estavam na fila a espera de doadores e perdoou o assassino de sua filha – sei que é muito difícil de entender esse perdão – o que nos permiti à expectativa de que ainda existe a possibilidade de termos, um dia, “Paz na Terra”.
Alberto Peixoto
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