Cidade maltratada | Por Emiliano José

O estrangulamento viário, a falência do sistema de transportes, a redução galopante das áreas verdes, a crise de saneamento, o abate indiscriminado de árvores, a ausência de coleta seletiva, de tratamento e reciclagem de lixo, a falta de proteção efetiva e sistemática aos mananciais, a crise da moradia popular, a iníqua distribuição de terras pela falta de um efetivo e regular controle da ocupação e do uso do solo são os sinais evidentes da ameaça de um colapso urbano em Salvador, sinais que desnudam a política desenvolvida pela atual administração de Salvador.

Essa crítica está na Carta-Manifesto do Movimento Vozes de Salvador, assinado por dezenas de entidades da sociedade civil, entre as quais a Associação Brasileira de Antropologia, Associação Bahiana de Imprensa, Confederação Nacional de Moradores, Federação das Associações de Bairros de Salvador, Fundação Onda Azul, Grupo Ambientalista da Bahia, Instituto dos Arquitetos da Bahia, Sindicato dos Engenheiros da Bahia, Sindicato dos Arquitetos da Bahia, União Nacional por Moradia Popular, Fraternidade de Igrejas Evangélicas do Brasil e Sociedade São Jorge do Engenho Velho, para citar algumas.

Há um repúdio veemente à “aberração em que se converteu o PDDU – Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador, mutilado e distorcido a ponto de tornar-se um mero instrumento de manipulação da cidade, franqueada assim ao jogo de interesses obscuros”. Cobra-se respeito com o patrimônio histórico de Salvador “relevante para o Brasil e para a humanidade” e há a promessa de que o movimento lutará “para que a cidade bela não seja estupidamente desfigurada”, como está ocorrendo.

“Já não é possível ocultar a violência do processo acelerado de degradação ambiental e de descaracterização de Salvador, carente de um efetivo planejamento urbano, de políticas sérias capazes de proteger-lhe o rico patrimônio histórico-cultural, de garantir a preservação de sua beleza e de suas reservas naturais, assim como o bem estar e a qualidade de vida dos seus cidadãos”. Denuncia-se a inoperância dos órgãos públicos responsáveis pela proteção da cidade, a constante subordinação aos caprichos dos interesses privados e a irresponsabilidade na gestão ambiental.

Denuncia-se, ainda, a falta de transparência e de critérios “tanto na definição como na execução de obras públicas, freqüentemente realizadas com dispêndios excessivos e com desmazelo técnico, material precário e acabamento incompleto, sobretudo em período eleitoral”. Como, também, a leviandade com que o espaço urbano vem sendo manipulado e a injustiça social que esse descaso implica – a segregação crescente das camadas mais pobres, privadas de infra-estrutura digna e de serviços públicos adequados. Além disso, o movimento aponta os artifícios que distorcem, embaraçam e inviabilizam a participação popular no planejamento e gestão da cidade, sobretudo dos mais pobres e da maioria negra de sua população.

Um libelo mais do que próprio.


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