A vergonha em Gaza é nossa

O mundo assiste, inerte, a um dos maiores crimes praticados contra a humanidade nas últimas décadas: o extermínio do povo palestino na Faixa de Gaza. Este genocídio, do ponto de vista ético, em nada se difere ao extermínio de judeus nos campos de concentração nazistas ou ao massacre perpetrado contra os Tutsis em Ruanda em 1994. Em todos estes casos, a matança irracional foi “justificada” enquanto um ato de “defesa” contra um inimigo poderoso e cruel. Em ambos os casos a irracionalidade triunfou diante da solidariedade e da ética. As trevas venceram o clarão. O ignóbil se aliou ao escárnio.

O jornalista Flávio Aguiar escreveu, com muita propriedade, que o Estado de Israel criou em Gaza o seu Gueto de Varsóvia, local utilizado pelos alemães na Polônia para concentrar os judeus que seriam exterminados.

Com as fronteiras fechadas, sem água, luz, alimentos, abrigos ou medicamentos, Gaza, com uma das maiores densidades populacionais do mundo, vai se transformando em um palco de absoluto horror. Um palco cuidadosamente montado pela coalizão conservadora que governa Israel para vencer, nas eleições do dia 10 de fevereiro, os ultraconservadores de Benyamin Netanhyau.

Esta é a verdadeira causa desta insanidade: as eleições que ocorrerão no próximo mês em Israel. Não são os foguetes artesanais disparados pelo grupo extremista Hamas que explicam esta carnificina. São as urnas. É por conta delas que o Estado de Israel edifica a sua maior vergonha: o massacre indiscriminado de crianças e inocentes.

O anti-semitismo é uma ignorância, um preconceito que vitimou em um passado próximo, milhões de judeus. A imagem das vítimas do extermínio nazista jamais se apagará de nossas retinas. Hoje, a faixa de Gaza é a vergonha do Estado de Israel. Mas, sobretudo, é a nossa vergonha.

Marter Luter King dizia-se preocupado não com a maldade dos maus, mas com o silêncio dos bons. A falta de reação da comunidade internacional, dos partidos políticos e da sociedade civil diante deste genocídio nos cobre, a todos, sem exceção, de enorme vergonha.

O terrorismo é abjeto. Seja efetuado com carros-bomba ou com mísseis de última geração, como se vê agora, em um ato de terrorismo do Estado israelense.

Ou o mundo reage a esta carnificina ou nos transformaremos, sem exceções, em cúmplices destas mortes.


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