Cortejo dos infiéis | Por Sérgio Jones

Cortejo dos infiéis

O cortejo do Senhor do Bonfim que era tido e havido como uma demonstração de fé do povo baiano, embora exista ainda algumas características de sua antiga tradição. Atualmente se transformou em um grande palco a céu aberto onde desfila despudoradamente alguns tipos de políticos que destoam brutalmente, com suas presenças, este ritual que para muitos já foi considerado sagrado. O que era antes tido como uma celebração de fé e religiosidade dá lugar à desfaçatez e artimanhas das mais diversas, sempre voltados para atender os mesquinhos interesses destes representantes dos podres poderes.

Este ano, a exemplo do que vem ocorrendo há algum tempo, a patuscada apresentada pelos políticos beira ao absurdo e atende até mesmo aos gostos mais bizarros: segurança do prefeito agride covardemente manifestantes que protestavam diante do prefeito e sua comitiva, contra o aumento das passagens de ônibus; o governador Wagner, dá entrevista na qual diz estar satisfeito com o desempenho do legislativo no que concerne a aprovação de matéria enviada pelo estado, durante a convocação extraordinária; o deputado ACM Neto diz que a Procuradoria Geral da Câmara de vereadores vai dar posição final sobre polêmica envolvendo a sucessão de Alfredo Mangueira (PMDB) que renunciou a presidência da Casa; bloco do DEM sai na frente da comitiva oficial do governador. Além de muitas outras picuinhas de caráter eminentemente político, nenhuma disposição, por parte destes senhores, ou tendência para com a religião ou as coisas sagradas.

Neste show de horrores havia de tudo, em escala reduzida e o que menos contava no processo era a manifestação de fé e religiosidade, que com o passar dos tempos se tornou pano de fundo. A demonstração de fé do povo baiano está sendo transformado pelos políticos como um meio dos mais variados tipos de manifestação profanas que em momento algum representa os verdadeiros anseios da população, estes ingenuamente são tratados como muares, carregando os fardos que lhe são impostos por reles políticos. Parafraseando Albert Einstein, o ideal político é a democracia (quando bem exercida) para que todo homem seja respeitado como indivíduo, e nenhum venerado.


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