O amanhã não será perene | Por João Renato Weigert

Desde o tempo de D. Pedro II, já se falava em transpor as águas do Rio São Francisco, com a alegação de que esta seria a única solução para a seca nordestina.
Os governantes sucederam-se e sempre houve projetos para dar início às obras. Mas, foi no atual governo que as complexas discussões tornaram-se mais reais.

A transposição do rio, basicamente, constitui-se em conduzir suas águas na extensão de setecentos quilômetros através de dois canais (norte e leste) aos açudes, abastecendo rios intermitentes e assim beneficiar a população mais carente.

O projeto apresenta muitos estudos e visões diferentes em relação aos impactos sócio-ambientais, pois depende do interesse de cada segmento da sociedade envolvida na questão, tanto que várias ações contra a realização dessas obras tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Entre tantos aspectos apresentados, a maioria são impactos negativos que a obra ocasionará ao meio ambiente, como: alteração da biodiversidade de peixes, perda de área com vegetação nativa, aumento da evaporação das águas, diminuição do volume de água do rio e extinção de espécies da fauna.

Uma das preocupações na análise desses impactos refere-se à possibilidade de haver uma maior concentração de pessoas próximas aos açudes e estas fazendo o uso da água sem os devidos cuidados acabar poluindo estes locais.

Outras dúvidas que surgem: Até quando o rio suportará as perdas do volume de suas águas? O benefício maior poderá acabar favorecendo o latifúndio nordestino? Com as escavações, qual a proporção dos danos aos sítios arqueológicos? A piracema continuará a existir? Existe ainda, a temeridade de violação das leis e normas aplicadas ao uso de recursos hídricos.

Os conflitos em terras indígenas não poderão ser evitados. A circulação dos trabalhadores durante a realização das obras será constante e indesejável, visto que os índios não aceitarão a utilização de seus recursos naturais nessas áreas.

Muitos estudiosos já se pronunciaram sobre a viável alternativa de explorar as águas subterrâneas, nessa situação a vontade política deveria falar mais alto, sempre aliado aos estudos técnicos.

Num passado recente, o chamado ¨Rio dos Currais¨ foi importante para as atividades da pecuária. Hoje, o Velho Chico, ¨encurralado¨ pelo destino, poderá colaborar para a prejudicial transformação de suas características naturais e a extinção de espécies da flora e da fauna nas áreas atingidas.

Conhecemos outra história parecida, a faraônica obra da Transamazônica, e, que até hoje apresenta graves problemas. Vamos assistir a mais uma dessas aberrações, pois a Transágua está chegando.


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