Bahia, um estado d´alma será lançado dia 26 de março

O jornalista e pesquisador Gutemberg Cruz estará lançando no próximo dia 26 de março de 2009, às 18h30, no Espaço Unibanco de Cinema (Galeria do Livro) na Praça Castro Alves, o livro “Bahia, um estado d´alma”. O lançamento comemora os 460 anos de fundação da cidade de Salvador. A capa e contra capa do livro conta com ilustração do artista gráfico Wilton Bernardo. No obra Gutemberg escreve sobre a “terra de todas as belezas” que começou como capital do Atlântico Sul, faz referência para os navegadores, os cheiros, temperos e aromas exóticos, o ritmo no sangue dos baianos (um povo que canta e dança), os diversos preceitos na religiosidade, a Bahia de Oxum, de corpo e alma, feminina. Em seguida ele descreve as comidas tentadoras do Sul da Bahia, a cultura popular e manifestação folclórica, faz um panorama da cultura popular numa Bahia singular/plural, mostra as trilhas da Chapada Diamantina, as relíquias de guerra, fé e grãos que destacam o oeste e sertão, a Baía de Todos os Santos ao Recôncavo e o turismo no litoral baiano. Eis a abertura da obra:

A Bahia é um estado d´alma. Nem o tempo nem o exílio podem destruir. Não faz diferença que o baiano more em Paris ou Grécia, num casarão vitoriano ou num apartamento modernista, a Bahia o habita. Assim, a Bahia é onipresente. Cada um a carrega vida afora à sua maneira. Cada um tem a sua Bahia. Para uns são as festas populares sagradas e profanas, e para outros, o perfume dos cacaueiros da infância ou o sabor das frutas tropicais. O lugar onde se está é onde o mundo nasce.

A Bahia é, de fato, uma terra abençoada. O capricho da natureza é evidente no seu litoral de praias tranqüilas recheadas de coqueiros. Salvador carrega a fama de possuir 365 igrejas, uma para cada dia do ano, no puro estilo barroco. Símbolos da cidade como o Elevador Lacerda, o Farol da Barra e o Pelourinho encantam os visitantes. Aqui foi o berço onde se proliferaram movimentos que modificaram padrões estéticos de alguns segmentos da arte produzida no Brasil. A Bahia impulsionou o surgimento de notáveis escritores, músicos, políticos, juristas e educadores.

A fusão dos sons dos atabaques dos candomblés e o ritmo do samba-reggae, que costumam invadir as noites, transformam a capital da Bahia numa cidade diferente. Mais do que encantadora malemolência e jingado do povo baiano, chamam a atenção dos visitantes o sincretismo religioso e a beleza da cidade velha, que reúne um dos principais acervos culturais do país. São obras e monumentos do período renascentista, sacro, barroco, rococó e neo-clássico, distribuídos em pelo menos 166 igrejas e dezenas de museus. As estreitas ruas das íngremes ladeiras do Centro Histórico de Salvador, onde está localizado o Pelourinho, faz as pessoas retornarem ao passado. Casarões se perfilam por quarteirões inteiros, relatando, séculos depois, o fausto de uma época marcada pela riqueza e o rigor no trato com a população negra. Hoje os moradores do Pelourinho se destacam pela busca de uma cidadania outrora negada, e entidades como o Olodum se fortalece dia a dia.

A formação geográfica de Salvador, de forma triangular e cercada pelo mar em dois lados, concede condições privilegiadas para se aproveitar o sol, enquanto uma breve brisa sopra constantemente, tornando o clima muito agradável. Capital da pluralidade misturando novo e antigo na alegria de uma gente que soube guardar herança cultural de três raças e mescla-las numa só, criando esta identidade tão peculiar, que distingue o baiano de todos os outros povos dopais continente Brasil. Durante debate sobre conceito de Nação com teóricos do Partido Comunista da União Soviética, em Moscou, o dirigente comunista baiano Armênio Guedes, solicitado a dar sua opinião sobre o Brasil, respondeu, segundo Jorge Amado em “Navegação de Cabotagem”: “Se o Brasil é uma nação eu não sei. Conheço pouco de Brasil. Mas que a Bahia é uma nação, é, sem a menor dúvida”.
A cidade mais antiga do Brasil, que completa 460 anos de vida, reúne praias belíssimas como a de Itapuã e a de São Tomé de Paripe, e parques de beleza natural como de Pituaçu, Abaeté e São Bartolomeu. O cidadão de Salvador nunca perde de vista a identidade. No simples sorriso que recepciona os visitantes ou na amistosa saudação aos íntimos (“diga aí, meu rei!”), no mergulho na Baía de Todos os Santos ou na subida da Colina Sagrada e na ritualística celebração, de bermuda e camiseta na Fonte Nova em dia de Ba Vi este povo exala o charme maior da cidade. O soteropolitano que recebe os turistas com um largo sorriso sabe que sua cidade é de Oxum, deus das águas doces, da malemolência, do dengo e dos mistérios. Assim é a Bahia, “terra da felicidade”, “cidade mãe” porque é acolhedora, cidade do sol, sempre sorrindo, do samba de roda, do som saliente, sabores sortidos e suculentos, rica em tradições. Uma terra ao mesmo tempo singular e plural.


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