A mídia perdeu, Dilma não se entrega | Por Oldack Miranda

Reconfortante a matéria de capa da revista CartaCapital (06/05/2016) sobre “Dilma e sua luta”. Assinada por Cynara Menezes, conta como “a preferida de Lula não se abala com a doença e permanece na arena”. A notícia do câncer linfático acabou se transformando em um desconcertante “fato novo” da sucessão presidencial e detonou toda sorte de especulação sobre seu futuro político, registra o texto.

“Revelada no sábado, 25, a doença da ministra deu asas à imaginação sucessória e inverteu o discurso do governo e da oposição. Nome predileto de Lula à disputa presidencial do ano que vem, Dilma vinha sendo estimulada pelo presidente a vestir o figurino de candidata”.

Com o “fato novo”, a oposição mudou o discurso. “O que era indesejável, precipitado e ruim para a democracia passou a ser fundamental, urgente. A horda de colunistas políticos tomou a iniciativa de decretar o enterro da candidatura da ministra (…) depois, ante a notícia de que a doença pode não ser tão grave, passou a acusar Dilma Roussef de tentar se promover no episódio, ainda que o assunto tenha virado pauta nacional à revelia da paciente”.

Tem que ter muito estômago para fazer política no Brasil. Tem que ter muito estômago para se informar pela imprensa nacional. Para sorte (política) de Dilma, o ministro da Comunicação, Franklin Martins, com muita lucidez a incentivou a tornar pública a doença. Fazer do limão uma limonada, porque os urubus já estavam voando em busca de carniça.

Entre as manifestações indelicadas e mesmo agourentas – escreveu CartaCapital – houve quem fizesse enquetes sobre qual o nome ideal para substituí-la como candidata à presidência da República, como se a ministra fosse carta fora do baralho. “Uma colunista escreveu que “SE CURADA”, a ministra pode ver crescer sua popularidade. Mas, o que mais causou impacto e indignação foi a manchete escrota do jornal O Globo: “Câncer e tratamento longo abalam a candidatura de Dilma”.

Esperto, José Serra passou uma imagem elegante ao declarar ser um desrespeito misturar doença com eleição. Esqueceu-se, no entanto, de orientar seus cabos eleitorais infiltrados na mídia e os urubus do PSDB. A notícia do câncer linfático da Dilma Roussef revelou que a mídia fascista não tem limites. Eu acho que a candidatura da Dilma cresceu com o episódio, apesar da mídia. Mais do que nunca Dilma é candidata a se tornar a primeira mulher a exercer a presidência da República e isso oito anos depois da eleição de um operário, como bem lembrou Le Monde.

*Por Oldack de Miranda é jornalista, escritor (foi co-autor do livro biográfico Lamarca, Capitão da Guerrilha), é Assessor de Comunicação e Ouvidor Especializado do DESENBAHIA – Agência de Fomento do Estado da Bahia S.A.


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