Após 20 horas internado, Sarkozy é liberado

Após 20 horas internado, Sarkozy é liberado.
Após 20 horas internado, Sarkozy é liberado.

Após quase 20 horas internado para realizar exames médicos, sobretudo cardiológicos, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, deixou no final da manhã desta segunda-feira o Hospital militar Val-de-Grâce, em Paris.

Seu estado de saúde mobiliza a imprensa francesa, que deu grande destaque à sua hospitalização inesperada.

Sarkozy saiu do hospital sorrindo, acompanhado de sua esposa, Carla Bruni, mas não falou com os jornalistas que aguardavam no local.

O presidente ficou internado cerca de 20 horas após ter passado mal, no final da manhã de domingo, quando corria no jardim do Palácio de Versalhes.

Segredos

O diagnóstico é de “um mal-estar ligado a um grande esforço físico, realizado sob um calor intenso, em um contexto de fatiga, ligada a uma carga de trabalho importante”, afirma o Palácio do Eliseu em um comunicado.

O mal-estar de Sarkozy “não teria causas nem consequências cardiológicas”, diz a nota, que também excluiu, em função dos exames realizados, “consequências neurológicas ou ligadas ao metabolismo” do presidente.

Os médicos não receitaram nenhum tratamento, mas recomendaram alguns dias de repouso ao presidente, que deverá presidir na quarta-feira uma reunião do Conselho de Ministros, antes de sair de férias por três semanas.

A hospitalização inesperada e as eventuais causas do mal-estar de Sarkozy, 54 anos, tiveram grande destaque na imprensa e mobilizaram o debate público no país desde o domingo.

A imprensa afirmou, com base em relatos de testemunhas e de colaboradores do presidente, que Sarkozy teria desmaiado por alguns instantes, o que foi negado pelo Palácio do Eliseu.

“O que aconteceu exatamente no domingo e do que o presidente sofreria?”, questionou o jornal Le Figaro.

Eventuais problemas cardíacos foram levantados em razão do fato de que Sarkozy continuou internado pela manhã para realizar uma série de exames cardiológicos.

Além disso, a imprensa francesa afirmou, após entrevistar especialistas, que o tipo de mal-estar sofrido por Sarkozy durante a prática de atividades esportivas poderia indicar, entre outros fatores (como hipoglicemia ou desidratação), também problemas ligados ao ritmo cardíaco e, no pior dos casos, até um infarto.

Com base em experiências passadas, os franceses avaliam que nem sempre a Presidência é transparente em relação ao estado de saúde dos chefes de Estado.

A saúde dos presidentes é um assunto considerado sensível na França depois que o ex-presidente François Mitterrand escondeu durante 14 anos ter um câncer de próstata. Ele havia ordenado ao seu médico falsificar seus boletins médicos.

O ex-presidente Jacques Chirac teve um acidente vascular cerebral em 2005, aos 72 anos, e ficou hospitalizado uma semana em segredo, antes de o assunto ser revelado.

Sarkozy havia prometido durante a campanha presidencial maior transparência em relação à sua saúde e afirmou que publicaria regularmente seus boletins médicos.

Mas o atual presidente também foi hospitalizado em segredo em outubro de 2007 para uma pequena operação na garganta.

A Presidência havia anunciado que a publicação dos boletins médicos seria anual, mas em 2008 não houve nenhuma divulgação oficial do estado de saúde de Sarkozy.

No início deste mês, o Palácio do Eliseu informou que os exames cardiovasculares e de sangue do presidente “eram normais”.

*Com informação da BBC Brasil.


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