Em nota a imprensa, BC apresenta: Balanço de pagamentos, Reservas internacionais e Dívida externa

 I – Balanço de pagamentos – Junho de 2009

O balanço de pagamentos registrou superávit de US$7 bilhões em junho. A conta capital e financeira apresentou superávit de US$7,4 bilhões, e as transações correntes, déficit de US$535 milhões. O superávit comercial no mês, US$4,6 bilhões, superou em 70% o saldo em igual período de 2008, enquanto na conta financeira destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$1,8 bilhão. Nos últimos doze meses, encerrados em junho desse ano, a conta capital e financeira registrou superávit de US$5,4 bilhões, enquanto as transações correntes, déficit de US$18,4 bilhões.

A conta serviços apresentou déficit de US$1,9 bilhão em junho, 1,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2008. Na mesma base de comparação, destacaram-se as contrações de 34,7% nas despesas líquidas com transportes, que somaram US$410 milhões, e de 6% das despesas líquidas com viagens internacionais, que registraram US$584 milhões no mês. Verificaram-se, ainda, recuos nas despesas líquidas com royalties e licenças, 31,5%, e com serviços governamentais, 56%. Dentre os itens que apresentaram elevação nas despesas líquidas, destacaram-se aluguel de equipamentos, 37,5%; computação e informações, 4,7%; e seguros, 14,8%. O item outros serviços registrou ingressos líquidos de US$484 milhões, 18,7% inferiores ao resultado do mesmo mês do ano anterior.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$3,5 bilhões no mês, redução de 11,1% em relação a junho do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$2,1 bilhões, dos quais US$1,9 bilhão referentes a lucros e dividendos, ante US$2,5 bilhões observados em junho do ano anterior. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$1,1 bilhão, ante US$525 milhões ocorridos em junho de 2008. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$465 milhões. O total das remessas líquidas de rendas de investimento direto apresentou redução de 42,4%, nos primeiros seis meses do ano, em comparação com igual período do ano anterior. As remessas líquidas de rendas relativas a investimento em carteira, de forma semelhante, mantiveram trajetória descendente, com redução de 19,6%, no primeiro semestre do ano.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior apresentaram retorno líquido de US$2,7 bilhões em junho, compreendendo US$994 milhões em aplicações líquidas de participação no capital de empresas no exterior e US$3,7 bilhões em amortizações líquidas de empréstimos intercompanhias, recebidas do exterior.

Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$1,5 bilhão em junho, quase integralmente devidos a investimentos em participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, enquanto os empréstimos intercompanhias permaneceram equilibrados.

Os investimentos estrangeiros em carteira registraram ingressos líquidos de US$1,8 bilhão em junho. Os investimentos em ações e em títulos de renda fixa, ambos negociados no País, apresentaram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão, comparados a US$3,5 bilhões registrados no mês anterior. As amortizações líquidas de bônus negociados no exterior somaram US$358 milhões, sendo amortizações de US$344 milhões e ágio de US$14 milhões referentes às recompras de papéis soberanos. Os investimentos em notes e commercial papers apresentaram ingressos líquidos de US$958 milhões, ante amortizações líquidas de US$424 milhões ocorridas em maio. As amortizações líquidas em títulos de curto prazo somaram US$422 milhões em junho, comparadas a US$57 milhões no mês anterior.

Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em ingressos líquidos de US$1,3 bilhão em junho, compreendendo concessões líquidas de empréstimos ao exterior, US$5,2 bilhões, na sua quase totalidade em operações de curto prazo. A redução de depósitos de bancos brasileiros no exterior atingiu US$6,3 bilhões.

Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$149 milhões em junho, ante US$3,5 bilhões em maio. O crédito comercial de fornecedores apresentou amortizações líquidas de US$1,2 bilhão, constituído de US$589 milhões em operações de médio e longo prazos e US$586 milhões de operações de curto prazo. Os empréstimos aos demais setores apresentaram ingressos líquidos de US$1,4 bilhão, resultado de desembolsos líquidos de compradores, US$169 milhões; de agências, US$130 milhões; e de empréstimos diretos, US$20 milhões, enquanto as amortizações líquidas de organismos somaram US$158 milhões. Os empréstimos de curto prazo totalizaram desembolsos líquidos de US$1,2 bilhão em junho.

II – Reservas internacionais

Em junho, as reservas internacionais no conceito liquidez, que incluem as linhas com recompra e as operações de empréstimo em moedas estrangeiras, cresceram US$2,8 bilhões frente ao apurado em maio, atingindo US$208,4 bilhões. No conceito caixa, as reservas internacionais cresceram US$6,2 bilhões no mês, atingindo US$201,5 bilhões ao final de junho.

No referido mês, as intervenções totais da autoridade monetária somaram compras líquidas de US$6,6 bilhões, compostas por compras à vista, US$3,2 bilhões, operações em linha com compromisso de recompra, US$2 bilhões, e retorno líquido de empréstimos em moeda estrangeira, US$1,4 bilhão.

A remuneração das reservas totalizou US$370 milhões, enquanto as demais operações externas, que incluem variações de preços e de paridades, responderam por redução de US$767 milhões no estoque.

Em junho, o estoque de operações de venda de moeda estrangeira com compromisso de recompra recuou para US$1,6 bilhão, ante US$3,6 bilhões em maio, enquanto o estoque de operações de empréstimo em moedas estrangeiras atingiu US$5,4 bilhões, ante US$6,7 bilhões no mês anterior.

III – Dívida externa

A dívida externa total, estimada para o mês de junho, atingiu US$195,3 bilhões, aumento de US$1,4 bilhão em relação à posição estimada para maio. Em relação a essa posição, a dívida externa de médio e longo prazos cresceu US$97 milhões, e a de curto prazo, US$1,3 bilhão.

Em junho, os principais fatores de variação da dívida externa de médio e longo prazos foram os ingressos líquidos de notes, US$984 milhões, e as saídas líquidas de suppliers, US$589 milhões, e de bônus, US$344 milhões. A redução do estoque de endividamento proveniente de variação por paridade foi estimada em US$103 milhões.

Quanto à dívida externa de curto prazo, o aumento de US$1,3 bilhão deveu-se, fundamentalmente, às captações líquidas de empréstimos de curto prazo por bancos comerciais, US$1,2 bilhão.


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