Essas escolhas e paradoxos faziam parte da construção da identidade, sedimentava valores, modelava o ETHOS moderno. E hoje, esses problemas acabaram? Ainda estamos vivendo e existindo sob a influência da dualidade?Pois é! Esse é o grande dilema do nosso tempo. São tantas as mudanças que não há como apresentar, discutir, polemizar tudo, mas algumas podem ser provocadas nesse instante.
Para mim, o mundo não é mais dual, maniqueísta, isso ou aquilo, certo ou errado. O mundo é plural, há vários olhares e os antagonismos do passado, agora caminham juntos, quer queiramos ou não.
A possibilidade de construção da realidade a partir das várias perspectivas de vida é que pode conduzir essa sociedade para um outro caminho menos autoritário e dogmático. Ainda estamos nos entendendo com o novo tempo e muita coisa está fragmentada e necessita a nossa crítica, pois não podemos derrubar um paradigma e negligenciar a nossa participação na construção de outros caminhos.
Então, contribuindo com o debate e tentando responder a provocação: Ser feliz ou ter razão na escolha de um comportamento ético? Respondo que a felicidade (emoção) é a principal questão da existência humana (sei que existem os niilistas, os seguidores da angústia.), sem ela a vida fica vazia, sem graça e quem nega essa vontade de ser feliz pode se considerar um morto-vivo. A razão ou ter razão é algo de fundamental importância para todos, a partir dessa conquista os seres humanos criaram a filosofia, a ciência, a política, a arte ganha movimentos e fundamentação teórica. Sabemos que a racionalidade ou o modelo de razão da modernidade produziu guerras, racismos e separações entre as pessoas. Essa era a razão instrumental bem caracterizada e criticada pela escola de Frankfurt que por ironia nasce e se desenvolve na Alemanha. Mas a razão é válida e não podemos abrir mão dela.
Sobre o comportamento ético devemos consolidar uma conduta verdadeiramente humana, pois considero ética como aquilo que não causa nenhum dano a mim, nem aos outros, ética é a boa convivência, e é ela quem vai orientar a nossa prática diária na sociedade.
Respondo a questão invertendo a lógica da pergunta. Posso ser feliz e ter razão, pois possuo as duas características e não vou ficar dividido entre uma coisa e outra. Eu sou inteiro e dentro de mim há razões e emoções, sou resultado dessa diferença e dessa aproximação. Se sou razão e emoção, as escolhas que faço vão dialogar com a minha necessidade de ser feliz e de conviver bem com as pessoas. Se faço isso, sou ético, não prejudico os outros, respeito as opiniões religiosas, políticas, morais e vivo dentro de uma pluralidade de atitudes, olhares e conceitos.
Portanto, não há contradição entre ser feliz e ter razão, pois a ideia de felicidade é criação da própria razão, do homo sapiens. Quero ser feliz porque penso no prazer, na vontade de encontrar alguém, na satisfação de ser reconhecido profissionalmente e tudo isso é o que nos identifica e nos diferencia das outras pessoas e nos torna humanos, demasiadamente humanos.







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