O blog da Petrobras aparece assim, de súbito, como um raio num dia de céu azul. Assusta a todos, e particularmente à grande mídia. É equivocada, no entanto, a interpretação do raio caindo num dia de sol intenso. É
O blog da Petrobras aparece assim, de súbito, como um raio num dia de céu azul. Assusta a todos, e particularmente à grande mídia. É equivocada, no entanto, a interpretação do raio caindo num dia de sol intenso. É muito mais que isso. É uma espécie de revelação sobre algo que já vinha amadurecendo, e de modo muito consistente. Faltava ousadia para que a luz se fizesse. O que o blog quis dizer, e disse, é que acabou o monopólio do discurso. O que quis fazer, e fez, foi dinamitar a edição. Ao menos a edição que não respeite a verdade, aquela que seleciona aspectos de um fato ou de uma entrevista para salientá-los a serviço de uma versão.
O que a mídia tradicional pretendeu sempre foi garantir que a utilização da fala da fonte fosse feita segundo seus critérios e interesses. Às vezes, uma entrevista de uma hora é reduzida a um lead, sublead, terceiro parágrafo. As declarações são tiradas do contexto, recortadas em pedaços. O realce fica por conta da visão do jornalista, do universo mental decorrente das rotinas produtivas do veículo que ele trabalha. Mesmo quando a fala é aproveitada de modo mais extenso, sempre o é de acordo com a interpretação do jornalista que, naturalmente, está condicionado às orientações de seus editores que, por seu lado, seguem a linha geral do veículo.
Como seria possível que esse modelo continuasse intacto em tempos de tantos blogs, de twitters, em tempos da web? Se há muito costumamos dizer que a informação corre em tempo real, agora, com essa revelação do blog da Petrobras, uma outra revolução se pôs: a revolução das fontes. Por que elas deveriam ater-se à versão da mídia? Por que não poderiam, nessa época do império do efêmero, assenhorear-se do próprio discurso? Com essa inovação do blog da Petrobras é provável que o próprio conceito de mercadoria emprestado à notícia, comece a ser questionado. E modificado.
A iniciativa da Petrobras revela de maneira consistente o novo tempo. A mídia tradicional terá que repensar a maneira de fazer jornalismo. Terá que ser muito mais cuidadosa. Quem sabe, seja o momento, de pensar em novos manuais, embora atualmente ela não observe sequer os vigentes. Pensar agora a necessidade de construir a notícia com cuidado. Olhar os diversos lados, ouvir muitas fontes, tomar cuidado com a edição, procurar respeitar os fatos em sua diversidade e complexidade.
Terá que pensar mais os seus títulos e chamadas que, muitas vezes, obedecendo a uma versão que se quer construir, entram em conflito até mesmo com o corpo da matéria. É possível que alguns argumentem que esses princípios já fazem parte da tradição jornalística, mas é inegável que os novos tempos exigem atualização e rigor na observância de tais princípios. O raio, fiquemos com a metáfora, pode tirar a mídia tradicional de seu sono.
muito mais que isso. É uma espécie de revelação sobre algo que já vinha amadurecendo, e de modo muito consistente. Faltava ousadia para que a luz se fizesse. O que o blog quis dizer, e disse, é que acabou o monopólio do discurso. O que quis fazer, e fez, foi dinamitar a edição. Ao menos a edição que não respeite a verdade, aquela que seleciona aspectos de um fato ou de uma entrevista para salientá-los a serviço de uma versão.
O que a mídia tradicional pretendeu sempre foi garantir que a utilização da fala da fonte fosse feita segundo seus critérios e interesses. Às vezes, uma entrevista de uma hora é reduzida a um lead, sublead, terceiro parágrafo. As declarações são tiradas do contexto, recortadas em pedaços. O realce fica por conta da visão do jornalista, do universo mental decorrente das rotinas produtivas do veículo que ele trabalha. Mesmo quando a fala é aproveitada de modo mais extenso, sempre o é de acordo com a interpretação do jornalista que, naturalmente, está condicionado às orientações de seus editores que, por seu lado, seguem a linha geral do veículo.
Como seria possível que esse modelo continuasse intacto em tempos de tantos blogs, de twitters, em tempos da web? Se há muito costumamos dizer que a informação corre em tempo real, agora, com essa revelação do blog da Petrobras, uma outra revolução se pôs: a revolução das fontes. Por que elas deveriam ater-se à versão da mídia? Por que não poderiam, nessa época do império do efêmero, assenhorear-se do próprio discurso? Com essa inovação do blog da Petrobras é provável que o próprio conceito de mercadoria emprestado à notícia, comece a ser questionado. E modificado.
A iniciativa da Petrobras revela de maneira consistente o novo tempo. A mídia tradicional terá que repensar a maneira de fazer jornalismo. Terá que ser muito mais cuidadosa. Quem sabe, seja o momento, de pensar em novos manuais, embora atualmente ela não observe sequer os vigentes. Pensar agora a necessidade de construir a notícia com cuidado. Olhar os diversos lados, ouvir muitas fontes, tomar cuidado com a edição, procurar respeitar os fatos em sua diversidade e complexidade.
Terá que pensar mais os seus títulos e chamadas que, muitas vezes, obedecendo a uma versão que se quer construir, entram em conflito até mesmo com o corpo da matéria. É possível que alguns argumentem que esses princípios já fazem parte da tradição jornalística, mas é inegável que os novos tempos exigem atualização e rigor na observância de tais princípios. O raio, fiquemos com a metáfora, pode tirar a mídia tradicional de seu sono.
*Emiliano José, professor aposentado da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA. Em 1999, defendeu a tese “A Constituição de 1988, as reformas e o jornalismo de campanha”, tornando-se doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. Começou a carreira jornalística na Tribuna da Bahia, passou pelo Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo, e pelas revistas Afinal e Visão. Foi um ativo integrante da imprensa alternativa nos tempos da ditadura.










Deixe um comentário