BC muda regra de compulsórios de bancos

O Banco Central (BC) anunciou ontem mudanças nos compulsórios bancários — parcela dos depósitos que fica retida na instituição —, mas a liquidez do sistema financeiro não será alterada, ou seja, não haverá aumento da circulação de dinheiro na economia. A partir de agora, as instituições financeiras poderão abater do compulsório a prazo apenas os ativos comprados de pequenos bancos, com patrimônio de até R$ 2,5 bilhões. Até então, isso poderia ser feito com papéis de bancos médios também, com patrimônio entre R$ 2,5 bilhões e R$ 7 bilhões.

Isso significa que, por enquanto, os concorrentes menores ainda sofrem com a falta de liquidez, oriunda da crise internacional. A ação, no entanto, vale apenas para as novas operações, ou seja, para novas compras de ativos.

Para isso, também foi prorrogado o prazo de vigência da dedução do compulsório de 30 de setembro para 31 de março de 2010.

No fim do ano passado, no auge da turbulência, o BC anunciou várias medidas mexendo no compulsório e que liberaram ao mercado cerca de R$ 100 bilhões. Entre elas, estimulou os grandes bancos a comprarem ativos de instituições menores, como carteiras de crédito, ao permitir que eles abatessem os valores dos compulsórios. Hoje, segundo o BC, existem R$ 7,5 bilhões desses ativos que são descontados dos compulsórios. O movimento de ontem foi o primeiro que desfaz, pelo menos em parte, as ações tomadas durante a crise.

Para compensar o fim dos benefícios dos bancos médios, o BC reduzirá a alíquota do compulsório sobre depósitos a prazo de 15% para 13,5% para todas as instituições, independentemente do porte. Com isso, segundo o BC, a liquidez do sistema financeiro se manterá igual.

A autoridade monetária também mudou a parte do recolhimento dos compulsórios a prazo: em espécie (dinheiro vivo), foi reduzida de 60% para 55% e, em títulos, foi elevada de 40% a 45%. Na prática, isso significa que os bancos terão de usar mais papéis do governo para cumprirem suas metas de recolhimento, o que pode elevar a demanda por esses títulos.

Onda de aquisições impulsiona a Bovespa

Várias fusões e aquisições nos EUA — como as envolvendo a farmacêutica Abbott, a Xerox e a Johnson & Johnson — anunciadas ontem levaram ânimo à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Apesar do pouco volume — de R$ 3,963 bilhões — em função do feriado judaico do Dia do Perdão, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 1,59%, para 61.316 pontos. Já o dólar recuou 0,39%, a R$ 1,793. Entre os papéis que mais puxaram a bolsa estiveram os da Petrobras: os ordinários (ON, com direito a voto) subiram 2,64%, e os preferenciais (PN, sem direito a voto), 2,29%, puxados pela alta do petróleo no mercado internacional.

A agência classificadora de risco Fitch Ratings divulgou um relatório alertando para as chances de as mudanças no marco regulatório do petróleo colocarem em risco as notas da Petrobras. O documento ressalta que a nota atual está ajustada ao cenário em vigor. Mas destaca que a proposta poderá elevar a alavancagem da empresa e as chances de intervenção política. A agência acrescenta que um eventual impacto no rating da empresa dependerá da fonte de financiamento dos investimentos que a companhia terá que fazer em exploração e produção, do ritmo de desenvolvimento dos campos e do valor da sua capitalização. O relatório não afetou as ações.

Diante dos sinais cada vez mais fortes de pressão sobre a inflação, o mercado agora aposta que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai subir ainda mais a taxa básica de juros do país — hoje em 8,75% ao ano — em 2010, mesmo sendo um ano eleitoral. Segundo a pesquisa semanal Focus do BC, os especialistas agora veem que a Selic fechará o próximo ano a 9,50% — 0,25 ponto percentual a mais que a previsão da semana passada. Por ora, o mercado ainda acredita que a Selic será elevada apenas no segundo semestre de 2010, mas não é difícil encontrar quem acredite num movimento bem antes.

— O cenário sobre o PIB caminha cada vez mais para um crescimento de 5% no ano que vem. Essa velocidade não permite uma taxa de juros no patamar atual — disse o economista sênior do Itaú Unibanco Asset Management, José Luciano Costa.

*Com informação de Patrícia Duarte e Juliana Rangel.


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