Jornais veem riscos e vantagens econômicas na recepção a Ahmadinejad

Para o jornal espanhol “El País”, receber o líder iraniano é uma aposta arriscada de Lula. O “Frankfurter Allgemeine Zeitung” destaca os interesses econômicos brasileiros e a busca por uma vaga no Conselho de Segurança.

Para o jornal espanhol El País, a visita de Ahmadinejad ao Brasil “é uma aposta arriscada para o presidente Lula, que antes de Ahmadinejad havia recebido o presidente israelense, Shimon Peres, e a autoridade palestina, Mahmud Abbas, obrigado pelo dominó de equilíbrios que deve respeitar depois de mover a primeira peça”.

Segundo o jornal, o Brasil resolveu ocupar o novo papel que lhe corresponde, e isso inclui desenvolver uma política própria nos principais conflitos internacionais, principalmente em relação ao Oriente Médio e ao programa nuclear iraniano.

O jornal também ressaltou que Ahmadinejad “busca fora a legitimidade que lhe está sendo contestada” em seu próprio país.

Na opinião do jornal, a visita não admite outro desenlace que não seja um jogo empatado em zero a zero. “Ou o Lula fica em evidência por debilitar, a troco de nada, a frente internacional contra o programa nuclear iraniano, ou o Irã tem de fazer a Lula concessões que até agora tem tratado de evitar de todas as maneiras.”

“Quem sabe um caminho intermediário, como ganhar tempo antes das sanções, fosse aceitável para Ahmadinejad. Lula, por sua vez, perderia um pedaço do prestígio internacional que merecidamente conquistou”, conclui o editorial.

Alemanha

Para presidente Lula, encontro pode trazer benefícios econômicos e políticos para o Brasil
O correspondente do jornal alemão Frankfurt Allgemeine Zeitung no Rio de Janeiro, Josef Oehrlein, vê a visita do presidente iraniano ao Brasil como uma boa oportunidade econômica para o país. Oehrlein relata que, desde 2002, as exportações do Brasil para o Irã aumentaram de 500 milhões de dólares anuais para mais de 1 bilhão de dólares, número que o Brasil ainda pretende elevar.

Em sua visita, Ahmadinejad esteve acompanhado de 150 empresários e, segundo o jornal, 23 acordos de cooperação seriam assinados durante a estada do presidente iraniano em Brasília.

O jornal lembra que Lula busca apoio para uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU para o Brasil. “Aparentemente ele [Lula] acredita que mesmo um pequeno passo na domesticação do iraniano – odiado mundialmente por suas provocações – seria proveitoso”, escreve o correspondente.

*Com informações da Deutsche Welle


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