Wagner é fraco na captação de recursos para a Bahia, e a segurança é o ponto mais negativo de seu governo. Última parte da entrevista do senador ACM Junior

ACMJ: Quando você perde as eleições perde-se também aliados e quando você está com possibilidades de vencer, eles voltam. No tocante as eleições municipais, nós brigamos contra duas máquinas.
ACMJ: Quando você perde as eleições perde-se também aliados e quando você está com possibilidades de vencer, eles voltam. No tocante as eleições municipais, nós brigamos contra duas máquinas.

JGB – Como o senhor avalia a política de atração industrial no governo Wagner?

CMJ – O governo Wagner vacila muito na busca de novos investimentos. Ele não tem a firmeza que nós tivemos no governo de ACM, Paulo Souto e César Borges. A infra-estrutura baiana é carente e o governo demorou muito tempo e não interveio quando devia, com isso perdemos  investimentos para os Estados do Ceará e Pernambuco pelo fato de nosso porto está obsoleto e inadequado.

JGB – No quesito segurança pública, como o senador avalia o atual quadro baiano?

ACMJ – Calamitoso e talvez este seja este o ponto mais negativo do atual governo devido a falta de comando e gestão.

JGB – Seu tio, José Maria de Magalhães, comandou a secretaria de Saúde do Estado por um bom período. Todavia, o resultado foi considerado como um modelo com o maior grau de concentração em atendimentos médicos na capital, em detrimento do interior do Estado que é fisicamente maior do que a Alemanha. Isso significa que o Democratas fracassou na realização de políticas públicas voltada para a saúde?

ACMJ – O que aconteceu nesse período foi o processo de municipalização da saúde que estava começando no país. Na verdade, foi um processo de transição que leva tempo para amadurecer e só depois de algum tempo é que ele veio se consolidar, o problema não foi questão de gestão. Mas faço a ressalva de que mesmo depois de totalmente assimilado, a saúde não está bem na Bahia.

JGB – Na educação, mais de um milhão de baianos precisam ser alfabetizados. Por que com tantos investimentos no setor o Democratas não conseguiram conduzir a população para um melhor nível de instrução?

ACMJ – Na questão da educação houve também uma descentralização em nível estadual. Você, na época, tinha padrões bem piores, mas conseguimos evoluir, não houve estagnação. Com relação à gestão atual, ela herdou uma situação que considero razoável. Tanto é verdade que eles conseguiram avançar no setor. Mesmo assim, não podemos afirmar que o processo atual está sendo devidamente trabalhado,podendo citar como exemplo as constantes trocas de secretários. Só não trocaram o secretário de Saúde porque é um petista roxo, mesmo assim, o setor enfrenta sérios problemas. A gestão do governo Wagner, em sua totalidade, é fraca.

JGB – As obras do Metrô de Salvador, até o presente momento, não foram concluídas. Na condição de administrador e político, o senador pode nos explicar o que acontece com o setor público que é incapaz de concluir uma obra no cronograma definido?

ACMJ – A obra do Metrô é uma sucessão de erros e omissões, além de sofrer do problema de má gestão. Para agravar ainda mais situação, o governo Lula resolveu reduzir a sua extensão para apenas seis quilômetros.

JGB – O seu filho, deputado federal ACM Neto, concorreu ao cargo de prefeito de Salvador e terminou em terceiro lugar, embora em alguns momentos, do primeiro turno, liderasse  pesquisas de intenção de votos. O Democratas perderam a capacidade de entender as necessidades do povo e em conseqüência dessa realidade perderam eleitores?

ACMJ – Quando você perde as eleições perde-se também aliados e quando você está com possibilidades de vencer, eles voltam. No tocante as eleições municipais, nós brigamos contra duas máquinas, a estadual com um candidato e a municipal com outro. Nós fomos os únicos a ter um candidato de oposição sem condições de usar a máquina pública, o que nós deixou em  franca desvantagem diante do nosso adversário.

JGB – O seu pai, falecido senador ACM, foi prefeito de Salvador, construiu as avenidas do vale e o CAB. Mas na capital baiana de cada 10 moradores, seis residem em favelas. Não faltou política de urbanização às gestões que estiveram à frente da prefeitura da Capital?

ACMJ – O senador quando foi prefeito expandiu Salvador para o lado norte da cidade, além de proceder à reurbanização dos alagados, onde os moradores residiam em casas de palafitas, O que resultou em uma sensível melhora no setor, infelizmente o modelo econômico de Salvador é complicado. Os impostos não chegam adequadamente aos cofres da prefeitura, este processo resulta em uma distribuição de renda mais perversa.

JGB – Diversos ex- alunos do senhor me falaram de sua brilhante atuação enquanto professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia). É difícil conciliar a prática acadêmica com a atuação política?

ACMJ – Não, eu consigo conciliar estas atividades sem problema algum, além de atuar como empresário. Ensinar é um prazer, há 30 anos ministro aulas na UFBA.

JGB – o Democratas figura como a terceira força política do Estado. A morte de ACM, significa a morte dessa ideologia?

ACMJ – Não, a nossa derrota política ( 2006)  gerou transformações que foram agravadas com a morte do senador. A partir daí começamos um trabalho de renovação atraindo gente nova. Em nenhum instante nos consideramos fora do jogo político, temos bons quadros e a própria performance do deputado ACM Neto, durante a campanha municipal, evidenciou que somos competitivos, além de termos um candidato com estas características que é Paulo Souto. Acredito que obteremos ótimos resultados eleitorais em 2010.

JGB – O senhor preside a Rede Bahia, no entanto logo após a vitória do PT houve cortes de pessoal. É mais fácil administrar quando o governo é o principal anunciante de uma rede de comunicação?

ACMJ – Não, a reestruturação que foi feita em 2007, aconteceu porque julgamos ser necessária. Inclusive o governo petista continua anunciando na Rede Bahia de Comunicações. O que aconteceu é que antecipamos o ajuste que muitos vieram a fazer em 2008.

JGB – Comenta-se que o senador tem aversão ao toque do eleitorado, o que o estimula na disputa pelo voto?

ACMJ – Não existe nada disso, a atuação política não me desagrada, nasci e cresci neste ambiente. Seria impossível não gostar da prática política.

JGB – O senador se sente oprimido pelo mito ACM?

ACMJ – Não, considero que ACM foi um exemplo para mim, Luis Eduardo e ACM Neto. Enfim, para todos aqueles que os cercaram. Para mim é um orgulho ser filho de ACM e estou sempre procurando me espelhar nos seus bons exemplos, para continuar tocando a minha vida.

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* Entrevista conduzida por Carlos Augusto e Sérgio Jones


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