Músico brasileiro toca com Orquestra Filarmônica de Nova Iorque

Músico brasileiro toca com Orquestra Filarmônica de Nova Iorque.
Músico brasileiro toca com Orquestra Filarmônica de Nova Iorque.

Arthur Kampela compôs “Macunaíma” para a série Contacts. 

O músico Arthur Kampela, 49, se apresenta na quinta-feira (17/12/2009), às 8pm, no Symphony Space, com a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque. Ele compôs a peça “Macunaíma” especialmente para o evento, o qual é parte da série Contacts, que traz o melhor da música contemporânea. A peça será apresentada também no dia 19, no Metropolitan Museum of Art.

Os outros nomes de peso que abrem a série Contacts são o francês Marc-Andre Dalbavie, o chinês Lei Liang e a americana Arlene Sierra. A orquestra será conduzida pelo maestro e compositor finlandês Magnus Lindberg, presente na temporada 2009-2010 como compositor-residente.

Em meio a uma atribulada agenda de final de ano, o carioca concedeu entrevista por telefone ao Comunidade News. Com carta branca da Filarmônica para compor o que quisesse, Arthur compôs Macunaíma, tomando como gancho uma obra anterior, Antropofagia. “A antropofagia é o conceito filosófico que está na base da criação do romance Macunaíma, de Mário de Andrade”, explicou o músico.

A obra foi escrita em 1928 e é considerada um marco no modernismo brasileiro. Macunaíma era um herói sem caráter, negro e com mãe índia. Através dele, Mário de Andrade quis retratar o multi-culturalismo brasileiro. Apresenta críticas implícitas à miscigenação étnica e religiosa. A maior crítica atinge a linguagem.

A mistura de raças presente no livro inspirou Arthur para compor a peça. Durante o processo, pediu aos músicos que não tomassem os instrumentos como uma coisa absoluta. “É assim que toco meu instrumento, meu instrumento é isso”. Para o brasileiro, os instrumentos são vistos como objetos sonoros, que carregam os ruídos que normalmente tem. “Mas eles podem também ser transformados e pensados de uma maneira diferente”.

Som nada convencional

Arthur conseguiu transformar o caldeirão cultural brasileiro na peça Macunaíma. Cantor, compositor e violonista, conseguiu quebrar padrões musicais, como mostrado em “Epic” (1988), com muito samba, jazz e teatro musical. Aclamado no Brasil, Estados Unidos e Europa, Kampela mora em Nova Iorque e foi premiado pela Fundação de Arte do Rio de Janeiro. Entre os compositores admirados estão Hermeto Pascoal e Villa-Lobos.

Para compor Macunaíma, o músico procurou trazer a maleabilidade de um percussionista para todos os músicos da orquestra. Trouxe o caráter brasileiro para a peça empregando uma situação de vanguarda e não conservadora. “Quero explorar os instrumentos”. As eventuais resistências enfrentadas por conta das inovações musicais foram consideradas normais pelo músico. Quando compõe, Artur não questiona se a obra será fora do comum, e se preocupa somente em colocar muita paixão.

Ele preza muito a liberdade de criação. “Neste mundo onde todos te julgam tanto, ‘você deveria fazer isto, aquilo’, é bom que você mantenha a coerência de fazer o que você gosta de fazer e o que você pode fazer”. Tamanha criatividade é totalmente brasileira. “Minha pátria é minha língua”, disse ele, repetindo Caetano Veloso. A constante leitura de romances brasileiros ajuda o compositor a inovar cada vez mais.

Os tickets para assistir “Macunaíma” custam $28 e podem ser adquiridos através do websitewww.nyphil.org. O endereço do Synphony Space é 95th Street, esquina com Broadway. O Metropolitan Museum of Art fica no 1000 Fifth Avenue.

Saiba mais sobre a carreira de Arthur Kampela no http://www.kampela.com.

*Com informação de Comunidade News.


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