As cidades dependem da água | Por Newton Oliveira

Já tratei deste assunto faz algum tempo. Volto ao tema em razão das enchentes que castigam São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, principalmente. Recordo-me ainda da tragédia de Angra dos Reis, dentre outras no romper do ano de 2010. Pois bem, com tanta chuva em São Paulo, quase um milhão de pessoas estão sem abastecimento de água potável. São contrastes impensáveis. Porque o homem convive com tantos infortúnios? Será que tudo é fruto do acaso? Tudo tem explicação.

As chuvas torrenciais fazem parte do desequilíbrio ambiental proporcionado pela forma predatória como o homem intervém no espaço geográfico. E também obedece a determinadas reações da natureza. Os especialistas têm dado todas as explicações.

A falta de água porém é oriunda de defeitos de planejamento, e de execução e também de monitoramento da rede. Pode portanto ser evitada. Como a água potável é um bem insubstituível para os seres vivos, resta a todos nós cobrarmos das autoridades providências para que o abastecimento seja perene.

Hoje discute-se, mundialmente, a escassez de água potável. Há especialistas que fazem previsões assustadoras, se medidas urgentes não forem adotadas. E por que? São os desatinos que estão acontecendo no dia a dia com os métodos de destruição da vegetação, da poluição dos mananciais com descargas enormes de esgoto sanitário, lixo e resíduos industriais, principalmente, lançados nos rios. É de uma irresponsabilidade que salta aos olhos de todos. E por que as autoridades permitem que continue acontecendo o crime? Será que os humanos perderam a racionalidade? Volto a insistir: a água é um bem insubstituível e para ser consumida precisa existir e estar limpa. Não há no planeta forma diferente.

Os sistemas de captação de água dependem da existência de mananciais que apresentem qualidade e quantidade suficiente para atender o consumo diversificado da população. É inevitável, portanto, proteger os mananciais da atividade predatória do homem. A adução é um trabalho técnico sem nenhuma dificuldade para sua execução. Desde os aquedutos romanos que a técnica vem se aprimorando. Quanto ao tratamento para que a água apresente os requisitos de potabilidade também não existem dificuldades. Resta a operação do sistema que depende de equipamentos funcionando 24h por dia.

Agora vem a pergunta: Por que falta água em São Paulo? A operação foi deficiente. Foi publicado na mídia que houve problemas técnicos na tubulação e na central de controle, provocados pelas chuvas. Pode ser, mas o sistema deve ser implantado para resistir a qualquer anormalidade. É claro que houve falha na operação. E a população não tem a quem recorrer. Somente aguardar o conserto e arcar com as conseqüências. É uma tristeza sem fim e uma sensação de vazio na cidadania.

Por outro lado, estima-se que 50% da água captada não chega ao consumidor, em razão das perdas oriundas de vazamentos nas tubulações e defeitos na infraestrutura. Novamente a operação do sistema não está atendendo requisitos técnicos necessários. O desperdício por defeitos na operação soma-se àqueles decorrentes do mau uso da água pela população. Gasta-se mais nas residências por desperdício e também por vazamentos. Vejo consternado a substituição da varrição dos edifícios por jatos de água, lavagem desnecessária de veículos, banhos demorados em chuveiros, etc. Tudo isto deve ser evitado.

Entre nós a EMBASA tem alertado para os fatos negativos gerados pelo mal uso. Ai a população pode dar sua colaboração. E é muito importante. Todos devemos participar desta realidade. A água não pode faltar.

*Prof. Newton Oliveira É Arquiteto e Diretor Presidente da UNEF

*Com informações de  Newton Oliveira


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