Índia quer aviões da Embraer para ampliar frota comercial

O governo indiano diz ver uma janela de oportunidade para a Embraer nos planos da Índia de alcançar a marca de 2 mil aeronaves em sua frota comercial até 2020. Atualmente, o país conta com 400 aviões que fazem voos domésticos e internacionais.

A avaliação é do secretário indiano de Aviação Civil Prashant Sukul. Ele afirma que os novos aviões serão usados para conectar o interior da Índia e que isso gera uma demanda por aviões de médio porte, que abrigam entre 25 a 50 assentos.

“Hoje em dia, as rotas nacionais são operadas por aviões muito grandes, feitos pela Airbus e Boeing, que não são os mais apropriados. As chances de fabricantes de aviões de médio porte são maiores, e este é um diferencial da Embraer”, diz Sukul.

De acordo com dados do Ministério de Aviação Civil, cerca de 90 milhões de passageiros viajam pela Índia todos os anos. O número parece grande, mas não passa de 1,5% da população indiana. Deste volume, entre 10 mil e 12 mil passageiros têm destino internacional.

“Com a expansão do mercado de voos domésticos na Índia, eu vejo a Embraer entrando como uma das principais fornecedoras de aviões de médio porte”, diz Sukul.

Mercado aberto

O governo indiano estima que a atuação da Embraer no mercado local de produção de aeronaves civis não vai encontrar resistência da indústria nacional.

Sukul garante que na Índia este é um mercado aberto, desregulamentado e que as empresas nacionais ainda estão em processo de desenvolvimento desta tecnologia. Ele afirma que a colaboração por meio de produção conjunta pode dar o pontapé inicial para o desenvolvimento da indústria local.

Outro segmento que está em expansão no setor aéreo indiano é o de jatos executivos, área em que a Embraer também se diferencia. O mercado cresceu 150% nos últimos cinco anos e alcançou a marca de 200 aeronaves.

“É um número pequeno se comparado à quantidade existente nos Estados Unidos, mas apostamos que este volume mais que dobre nos próximos cinco anos”, estima Sukul.

Apesar do otimismo, o secretário indiano diz que a indústria ainda se recupera dos efeitos da turbulência financeira global e que só vai haver expansão à medida que a economia crescer e as empresas voltarem a apresentar resultados consistentes.

“Na Índia, houve uma queda de 8 a 9% no trafego aéreo internacional por causa da crise. Primeiro, temos que nos recuperar desta perda para, depois, crescer. E isso deve levar entre um ano e um ano e meio”, afirmou.

Por hora, o secretário indiano diz que também descarta a possibilidade de fusões e aquisições no setor.

*Com informação de Laura Cassano De Nova Déli, na Índia, para a BBC Brasil


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