Jornalistas analisam as tendências digitais e desafios do jornalismo no terceiro colóquio

Acadêmicos Ibero-americanos, jornalistas e executivos da mídia de 12 países trocaram suas experiências e analisaram as recentes tendências no jornalismo em espanhol e português, a internet e as redes sociais no Terceiro Colóquio Ibero-americano de Jornalismo Digital, ocorre em Austin no dia 25 de abril de 2010.

O evento, organizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, foi o fechamento do 11º Simpósio de Jornalismo Online , realizado nos dias 23 e 24 de abril. Entre os temas do simpósio que instigaram os participantes estão as tendências em mobilidade e uso de dispositivos portáteis, os novos modelos de financiamentos (tais como jornalismo sem fins lucrativos), os recentes exemplos de jornalismo participativo e cidadão, e o novo ecossistema midiático.

O colóquio também contou com apresentações informais que analisaram os desafios do jornalismo digital, desafios na cobertura do narcotráfico e as experiências em matéria de integração de redações.

Experiências na fronteira

Dureante apresentação, Daniel Rosas, do jornal El Mañana de Nuevo Laredo, explicou a complexa situação atual da fronteira entre os Estados Unidos e México. A violência ligada ao tráfico de drogas vem ameaçando repetidamente jornalistas e comunicadores, com a autocensura como resultado.

“Não é tudo que ocorre que se publica”, explicou Rosas. Muitos cidadãos optaram por reportar eles mesmos o que vivem diariamente, mas o que não é informado pelas autoridades ou os meios de comunicação. Blogs e serviços como Twitter e YouTube canalizam essas contribuições. “São uma válvula de escape para os cidadãos”, disse Rosas.

No entanto, isso também gera riscos. A propagação de rumores sem verificação – e inclusive sem fundamentos – fomenta o medo entra a população. Rosas distinguiu entre a narco-violência e o narco-terrorismo, que utiliza os meios de comunicação ao seu alcance para espantar a população.

A espanhola Judith Torrea, que recentemente venceu o Prêmio Ortega e Gasset, adicionou que o desafio é dar conta do que realmente acontece em lugares como Ciudad Juárez, onde lá vive há doze anos. “Sou jornalista para contar as histórias que não estão sendo contadas e quero acreditar que o jornalismo serve para algo”, explicou Torrea, que trabalha como jornalista independente.

As histórias que não são publicadas nos meios de comunicação tradicionais aparecem em seu blog ”Ciudad Juárez, en la sombra del narcotráfico” (Cidade Juárez, na sombra do narco-tráfico, em português), que serve para apresentar “o que realmente está ocorrendo no México”, mesmo que seja gratuitamente e que lhe custa sua própria segurança.

Tendências na região

Outras apresentações durante o colóquio mostraram as diferentes inovações e desafíos na ibero-américa.

Luis Assardo, do elPeriódico de Guatemala, e Pedro Dias Lopez, do Zero Hora do Brasil, falaram sobre seus serviços bem-sucedidos de envio de manchetes à telefones celulares de seus respectivos meios de comunicação.

Mario Tascón, de lainformación.com, indicou os riscos de forçar uma convergência entre os meios de comunicação digitais e impressos e destacou as trocas na hora de apresentar conteúdos derivados de novas tecnologias.

O diretor do Centro de Jornalismo Digital em Guadalajara, James Breiner, apresentou diversos modelos de financiamento que surgiram na América Latina e indicou como muitos jornalistas estão tentando criar seus próprios meios de comunicação.

Pedro Doria, do O Estado de S. Paulo, explicou como seu jornal vem abordando a integração das redações online e impressa e recomendou integrar uma sessão por vez, além de testar diferentes métodos e opções de integração.

O diretor executivo do UOL, Irineu Machado, apresentou a evolução da empresa, que começou como um provedor de Internet para logo se transformar em um gigante que inclui conteúdos originais, comercio eletrônico, multimídia e presença em múltiplas plataformas.

Durante todo o evento, os 30 participantes trocaram ideias e refletiram sobre o jornalismo digital em espanhol e português. Entre as conclusões, houve consenso em destacar a importância da capacidade de resposta do jornalismo frente aos desafios da era digital.

*Com informações do Centro Knight.


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