Em matéria de autoria de Berha Maakaroum, publicada recentemente no Correio Brasiliense, acena para o fato de que 55 municípios brasileiros petistas e tucanos partilham as prefeituras municipais e trocam juras de lealdade para enfrentar a campanha presidencial. Aliados em torno de objetivos comuns, as polêmicas composições entre estes partidos nas prefeituras facilitam o trânsito político em todas as esferas de governo e, não importa quem vença as eleições em outubro, eles garantem a tranquilidade e o fluxo de verbas federais.
A cidade baiana de Camaçari, é considerada uma das exceções de divórcio litigioso. O prefeito Luiz Carlos Caetano (PT), um dos coordenadores da campanha à reeleição de Jaques Wagner (PT), rompeu com a sua parceira história e vice-prefeita Tereza Cristina Giffoni Vieira (PSDB), porque desta vez, diferentemente de campanhas anteriores, ela irá apoiar José Serra no plano federal e Paulo Souto (DEM) para o governo da Bahia.
Nas pequenas cidades Brasil afora, contudo, o casamento entre petistas e tucanos vai bem. Camaçari a parte, em 27 delas, o PT encabeça o governo e o PSDB tem o vice-prefeito e, em outras 27, a estrutura é inversa. Há ainda 64 cidades governadas por prefeitos petistas que formaram coligação com outros partidos, inclusive o PSDB e outras 126 administradas por tucanos que contaram com o apoio do PT nas eleições de 2008. Entre todos os estados, Minas Gerais apresenta o maior número de governos híbridos: dos 55 casos de administrações que têm o PT ou o PSDB como prefeito e vice-prefeito, 24 são mineiras.
O Estado de São Paulo é onde se verifica maior acirramento entre petistas e tucanos. Tendo como excessão a cidade de Guapiara, na região de Itapetininga — em que tucanos e petistas partilham em harmonia a administração municipal. Com 15.408 eleitores e um perfil econômico agrícola, as receitas correntes de Guapiara giram em torno de R$ 700 mil ao mês, dos quais o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) dá a principal contribuição. “Estamos juntos desde 1996”, comemora o prefeito Flávio de Lima (PSDB), referindo-se ao PT.
No ecletismo político do município, também há espaço para o DEM na aliança. “Estão conosco no governo além do PSDB e do PT, o DEM, o PV, o PSB e o PTB. Oposição aqui são PMDB e PP”, acrescentou Flávio de Lima. O leque de apoios do município para os deputados estaduais e federais será igualmente amplo. “Quem nos ajudou vai ser ajudado. Quem trouxe emendas terá retorno”, avisa o prefeito tucano. Já nas campanhas ao governo de São Paulo e à presidência da República, em princípio, cada qual pedirá votos para o seu candidato. “Os grupos ficam livres. Cada um apoia quem quer. Vou ficar com o José Serra. O vice com a Dilma Rousseff.”
De acordo com a analíse do cientista polictico e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais Fábio Wanderley Reis essas relações aparentemente inusitadas tem uma explicação. “Os líderes locais jogam e apostam nas maiores possibilidades de viabilizar os interesses do governo. Com bom trânsito nas esferas administrativas, ao exibir realizações, cativam o seu eleitorado e a sua permanência no poder local.”
Na campanha proporcional, há ainda menos constrangimentos. “Temos um grupo de deputados federais e estaduais de diferentes legendas. Aqui não tem paraquedista e nunca faltam emendas orçamentárias para a cidade”, afirma Paulo Henrique. “Nosso grupo se organiza ajudando um pouco cada um. Eu controlo para que um candidato não tenha mais voto que o outro, mantendo o grupo unido”, acrescenta ele, que tem de administrar uma cidade pobre, com 2.682 eleitores, cujas receitas correntes mensais não superam R$ 400 mil, a maior parte composta pelo repasse constitucional do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
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