Serra vai disputar a Presidência da República pela segunda vez

Pela segunda vez, José Serra entra na corrida pela Presidência da República como candidato do PSDB, partido do qual é um dos fundadores. A carreira política dele começou na militância estudantil nos anos 60, quando estava na universidade e foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Com o golpe militar, deixou o país e ficou exilado no Chile e nos Estados Unidos.

Depois de 14 anos no exílio, Serra retornou ao Brasil e passou a lecionar no curso de economia da Universidade de Campinas (Unicamp). Nos anos 80, tornou-se secretário estadual de Planejamento no governo do peemedebista Franco Montoro (que morreu em 1999). Em 1986, ele foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PMDB e participou da Assembleia Nacional Constituinte.

Dois anos depois, ajudou a fundar o PSDB. Em 1990, conquistou o segundo mandato na Câmara dos Deputados. Na eleição seguinte, assumiu a vaga de senador.

Licenciado do Senado, Serra comandou os ministérios do Planejamento (em 1995 e 1996) e da Saúde (de 1998 a 2002) na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na primeira pasta, desenvolveu programa de execução de obras do governo federal em parceria com estados e prefeituras. Na saúde, a administração dele foi marcada pela implantação do programa de combate à aids – que serviu de modelo para outros países e teve reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2002, concorreu ao posto mais alto do país, o de presidente da República. Porém, perdeu a disputa para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Após dois anos, foi eleito prefeito de São Paulo. Serra concorreu a esse cargo três vezes e nos pleitos anteriores, em 1988 e 1996, havia sido derrotado.

Em 2006, assumiu o governo estadual, o único cargo para o qual foi eleito em primeiro turno. No início deste ano, renunciou ao posto para ser o pré-candidato dos tucanos à Presidência da República nas eleições de outubro.

Filho de imigrantes italianos, Serra nasceu em 19 de março de 1945 na capital paulista. É economista e casado. Tem filhos e netos.

Candidatura de Serra à Presidência é formalizada em convenção do PSDB

Com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, a candidatura do ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) foi formalizada hoje (12) na convenção nacional tucana, em Salvador. Serra deu ênfase a sua postura de “respeito às liberdades”, que, segundo ele, não é o que ocorre hoje no Brasil.

“Acredito na democracia e isso não é uma crença de ocasião. Muitos políticos ou partidos que se apresentam como democratas desdenham a democracia nas suas ações diárias. Mas ao contrário de adversários políticos, para mim, o compromisso com a democracia não é tático, não é instrumental. É um valor permanente. Inegociável”, disse Serra que recorreu a Santo Antônio para falar de suas posturas.

“Hoje, estamos na véspera de um dia especial, é véspera de Santo Antônio, patrono do Farol da Barra [bairro de Salvador], nome de um dos meus netos. Santo Antônio é Ogum, guerreiro valente e orixá da lei, intransigente no cumprimento dos princípios e das verdades eternas. Vamos falar disso. Falar de nossos valores, dos meus valores”, disse.

Serra ainda ressaltou que respeita a liberdade de imprensa e que não aceita “patrulha de ideias”.

“A imprensa não deve ser intimidada, pressionada pelo governo, ou patrulhada por partidos e movimentos organizados que só representam a si próprios, financiados pelo aparelho estatal. Não aceito patrulha de ideias, nem azul, nem vermelha”, disse.

O candidato tucano ainda classificou como “anomalias” as organizações de trabalhadores que, segundo ele, são sustentadas com o dinheiro público e servem para a manutenção de esquemas de poder.

Sem citar o nome do presidente Lula, que as pesquisas registram grande aprovação de sua imagem, principalmente no Nordeste, Serra chegou a comparar a situação brasileira com a da França, na época de Luís XIV. “Acredito que o Estado deve subordinar-se à sociedade, e não ao governante da hora, ou a um partido. O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou para trás, há mais de 300 anos. Luís XIV achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para ‘luíses’ assim”, afirmou.

Serra ainda criticou os governantes que mantêm relações com chefes de países não democráticos. “Acredito nos direitos humanos, dentro do Brasil e no mundo. Não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta, só porque são aliados eventuais”, disse

O tucano também falou do papel do Congresso Nacional, que, segundo ele, deve ser um local de debate e de entendimento político. “Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios”.


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