Imprensa europeia vê Serra como político experiente à beira da derrota

Imprensa europeia destaca longa experiência política do candidato de oposição, e tenta explicar mau desempenho de José Serra na campanha eleitoral. Para ingleses, Serra ainda pode virar o jogo.

Para os jornais europeus, o passado político de José Serra não passa despercebido. O candidato do PSDB a presidente do Brasil é visto como um bem-sucedido ex-ministro da Saúde, um respeitado e competente ex-governador do estado de São Paulo. “Para esse homem, enfrentar e derrotar um adversário político novato parecia uma aposta razoável”, avalia o jornal francês Le Monde.
Mas o desenrolar da campanha eleitoral colocou Serra, de 68 anos, numa situação adversa, como lembra a publicação, que reproduz a opinião de um eleitor do Nordeste brasileiro dada a uma revista: “Se Lula apoiasse Serra, eu votaria no Serra.”

Para o Le Monde, o candidato não tem mais chances – e, mais uma vez, sua derrota é causada por Lula. “Esta campanha é sua última chance de se tornar presidente, um objetivo para o qual, segundo disse, ‘se preparou a vida inteira’. E mais uma vez Lula e Dilma Rousseff o impedem de alcançá-lo”, escreve o jornal francês sobre José Serra.

Críticas moderadas

O diário alemão Süddeutsche Zeitung é mais comedido ao noticiar a disputa presidencial no Brasil. Sobre Serra, destaca o lema do candidato – “O Brasil pode mais” – e as críticas que ele faz contra alguns pontos da política de Lula, como a proximidade com Irã, Cuba e Venezuela.

“Ele acredita ser o Estado”, reproduz o jornal a fala de Serra sobre algumas decisões do presidente. A publicação, no entanto, afirma que o candidato da oposição não pode endurecer o tom, já que o bom momento da economia brasileira deu muita popularidade a Lula.

Crise anunciada

Por outro lado, o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung julga que Serra faz um grande esforço para se aproximar da imagem do presidente Lula. A tática, segundo a publicação, é vista como uma fraqueza do candidato da oposição.

A chance de vitória é “atualmente menor do que nunca”, prossegue o jornal, segundo o qual a oposição poderá sofrer uma derrota histórica. “O clima no comitê de Serra é tenso. Alguns aliados já tentam minimizar os danos e se afastam do candidato. Parece que já há um resultado preliminar da campanha presidencial”, arrisca o Neue Zürcher Zeitung.

Ainda há esperança

A publicação inglesa The Economist acompanha de perto o panorama da política brasileira. A revista reconhece que, na teoria, José Serra seria o candidato eleito – já que representa o maior partido de oposição do país. Mas, na vida real, Serra briga para continuar na luta até o dia 3 de outubro.

“O problema não é sua apresentação, apesar de Serra parecer entediante exceto quando sorri, quando ele parece alarmado”, comenta a revista, que busca de uma explicação para o mau desempenho do candidato.

The Economist lembra ainda que Serra é conhecido por sua atuação no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), “que apesar de conseguido algumas conquistas sólidas, elas são lembradas sem ternura pelos brasileiros”.

A revista inglesa é um pouco mais relutante quando tenta prever o resultado das eleições presidenciais – a publicação afirma que a liderança de Rousseff ainda não é “incontestável”. Na visão do semanário, Serra pode ter uma chance se houver um segundo turno. “E, no Brasil, há sempre a possibilidade de um escândalo ou alguma tolice”, sugere como fator que pode mudar o curso das eleições.


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