Rio de Janeiro, 22 setembro de 2010 (EFE).- Romário e Bebeto, artilheiros da seleção brasileira tetracampeã mundial em 1994, penetraram no campo da política como candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, nas eleições do próximo dia 3.
Após prolongar o máximo possível suas carreiras como jogadores, os dois ex-atacantes decidiram, cada um de seu lado, utilizar seu prestígio entre os torcedores para convencer os eleitores de que representam uma alternativa na política nacional.
Depois de fracassar em vários projetos empresariais, o polêmico Romário, agora com 44 anos, deu o pontapé inicial nesta aventura política em setembro de 2009 ao filiar-se ao PSB, partido aliado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para as eleições de 3 de outubro, o PSB o inscreveu como candidato a deputado federal, e o “baixinho” mostrou que como político é tão habilidoso como com a bola, a ponto de as pesquisas de intenção de voto indicarem que tem a eleição assegurada.
Em seu programa eleitoral, Romário, nascido em uma favela do Rio de Janeiro, defende a promoção do esporte como medida para ajudar crianças e adolescentes mais pobres, que têm um maior risco de exclusão social.
“Para mim, o objetivo da política é muito simples: nasci em uma favela e sei o que essas crianças precisam”, assegurou à Agência Efe em um ato eleitoral na cidade de Petrópolis, a 66 quilômetros do Rio de Janeiro.
“Sem nenhum tipo de pretensão da minha parte, me senti realizado no mundo do futebol e levei alegria a muitos brasileiros com meus dribles e meus gols. Agora é o momento de demonstrar que também ‘sou o cara’ no campo da política”, afirmou no site de sua campanha.
Romário também inclui em seu programa o apoio a crianças com necessidades especiais e seus familiares, uma situação que ele mesmo conhece de perto, já que sua filha mais nova tem Síndrome de Down.
“Não é demagogia nem hipocrisia”, se defende o ex-jogador, que também assinala que poderá fazer muito mais pelas crianças que sofrem de necessidades especiais se for eleito para o Congresso Nacional.
Por sua parte, Bebeto, filiado ao PDT em outubro do ano passado, concorre como deputado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Com o nome de “Bebeto Tetra” em sua ficha, o ex-jogador tenta conseguir votos refrescando a memória dos torcedores com a lembrança do tetracampeonato da seleção, que ele ajudou a conquistar nos Estados Unidos em 1994.
No site onde apresenta sua candidatura, Bebeto explica que nunca tinha pensado em entrar para a política. “Quando ouvia falar de corrupção, mentira e muitos outros escândalos, me sentia desmotivado”, assegura.
No entanto, o ex-atacante, agora com 46 anos, confessa modestamente que seus amigos, familiares e colegas de trabalho lhe encorajaram a apresentar sua candidatura, porque viam nele “o valor familiar e o comportamento ético que devem preceder qualquer desejo de participação política”.
Como seu colega Romário, Bebeto aposta em seu programa para introduzir o esporte nas políticas educativas, além de investir em programas de treino para formar atletas de alto nível visando aos Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro.
Nestas eleições, os dois terão a oportunidade de demonstrar que sua glória não ficou restrita aos estádios, e que as alegrias que deram aos amantes do futebol podem ser repetidas como legisladores.
*Com informação de Alba Fernández Candial.










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