Elia Bacelar, funcionária do Fórum de Feira há 45 anos diz que estrutura continua reduzida para atender população de 600 mil habitantes

Elia Souza Bacelar e a equipe do cartório da Segunda Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo de Feira de Santana. 45 anos servindo ao judiciário feirense.
Elia Souza Bacelar e a equipe do cartório da Segunda Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo de Feira de Santana. 45 anos servindo ao judiciário feirense.

Elia Souza Bacelar, nascida em Aurelino Leal, chegou à Feira de Santana em 1965, neste mesmo ano ingressou no fórum Desembargador Filinto Bastos. Na época, ela era concluinte do segundo grau no colégio Gastão Guimarães. “Quando ingressei, auxiliava uma colega que atualmente é juíza. Fui escrevente e hoje, na condição de escrivã, coordeno as atividades do cartório da Segunda Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo”, explica.

Na avalição da escrivã as atividades do cartório são mais fáceis de desempenhar em função da tecnologia. Ela diz que antigamente “tudo era manual, manuscrito”. Mas alerta para pequena disponibilidade de funcionários e declara que o fórum, hoje, continua com a mesma estrutura de 30 anos atrás, se levarmos em conta o crescimento populacional e a ampliação do número de advogados para atendimento.

A escrivã diz que em média são ingressados 100 novos processos por mês. O cartório conta com atendimento pela manhã e tarde. Todos os dias são realizadas audiências. Ela explica que “o cartório conta com dois ou três funcionários e dois estagiários que auxiliam o juiz em suas atividades. Sempre que necessário, a juíza designa os estagiários para nos auxiliar na organização e atendimento do cartório”.

Elia afirma que a juíza da Segunda Vara é responsável pelo andamento de processos em três cartórios distintos. Para exemplificar melhor o problema de pessoal, na terceira vara do sistema de juizado, um único juiz é responsável por de 17 mil processos. Na avaliação de um funcionário, é necessária a contratação de três juízes e ampliação do quadro de atendentes e indicação de mais diretores de cartórios (antigos escrivãos).

Elia Bacelar finaliza a entrevista explicando que evitou a aposentadoria em função da morte do marido, que ocorreu há 16 anos. “Com a aposentadoria a renda cai quase pela metade. Com filhos pequenos e estudando, tive que me manter na ativa até hoje. Mas pretendo me aposentar, agora que meus três filhos estão crescidos. Quero passar mais tempo ao lado deles e dos meus dois netos”.


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