Segundo São João, Jesus foi preso, levado ao Sinédrio e em seguida enviado a Pilatos. Este, após um breve interrogatório, não encontrou no “Meigo Nazareno” nenhum motivo para castigá-lo.
Como se vivia o clima da Páscoa, perguntou a turba a quem deveria conceder a liberdade: se a Jesus ou a Barrabás!
Responderam: “Barrabás”.
Querendo acalmá-los e livrar o Profeta Galileu da crucifixão, determinou que o flagelassem. Quando o viram, ficaram ainda mais enfurecidos e violentos e gritaram a uma só voz: “Crucifica-o! Crucifica-o!”.
O governador romano não querendo aplicar-lhe a pena capital novamente o interrogou: ”De onde és tu?” Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, então, Pilatos: “Não me respondes? Não sabes que eu tenho poder para te libertar e poder para te crucificar?” Respondeu-lhe Jesus: “Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto; por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado”.
“Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto; por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado”. Isto é o que há mais ou menos dois mil anos escutamos ou lemos. Mas, por que o Mestre disse isso? A quem se referia? Note-se que a palavra “alto” está escrita com “a” minúsculo. Esta particularidade indica que Jesus não se dirigia a seu Pai ou aos Poderes Divinos, mas ao vulgar, efêmero e podre poder terreno.
Então, quando diz “Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto” há uma clara referência a César (no caso, Tibério), pois toda autoridade de Pilatos era oriunda dele. A segunda parte da frase “por isso, quem a ti me entregou tem maior pecado” não pode se referir a outros, senão a Judas e aos fariseus: foi Judas quem O entregou aos fariseus e foram estes que exigiram Sua crucifixão.
Se substituirmos “poder” por sistema, não fica difícil descobrir que, atualmente, César representa o Presidente da República e seus cortesãos; Pôncio Pilatos, os governadores e os que gravitam a sua volta; os fariseus, os mantenedores do status quo, ou seja, aqueles que se tornam mais ricos e poderosos através do derramamento ilimitado do “sangue, do suor e das lágrimas” dos menos favorecidos; Judas, todos os colaboradores dos fariseus, isto é, os que existem para “criminalizar a legalidade” e JESUS os milhares e milhares de trabalhadores que se encontram na mais deplorável situação.
SENHOR, se todos os limites foram ultrapassados e o povo ainda continua munido de uma paciência ilimitada, o que mudou com a tua terrível paixão?
*Por Aloísio Vilela de Vasconcelos










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