Construído em 1967, o parque de Exposições João Martins da Silva manteve a estrutura inalterada ao longo de 43 anos. Poucos investimentos e pequenas ampliações formara o remendo, que as diversas gestões da Prefeitura de Feira de Santana foram capazes de realizar.
Sem uma discussão mais profunda sobre o modelo de negócio a ser realizado, ou seja, sobre o presente e o futuro da Feira de Agronegócios que ocorre todos os anos, em setembro na cidade de Feira de Santana, o evento pouco a pouco definhou.
Há cerca de dois anos, a administração do prefeito Tarcízio Pimenta convidou os núcleos de criadores de animais e propôs uma parceria, o que, em parte, conduziu a revitalização da Exposição Agropecuária de Feira de Santana (EXPOFEIRA).
Observa-se que persiste na administração municipal a incapacidade de promover e discutir, em profundidade, o modelo de negócio para Expofeira com os diversos setores que compõem a sociedade organizada, a exemplo dos Núcleos de Criadores de Raças, associações comunitárias de produtores rurais, entidades públicas ligadas ao agronegócio e setores comerciais. Esta incapacidade de articulação, de debate, leva a uma falta de planejamento ou planejamentos distantes da realidade.
A Expofeira, embora tenha comercializado R$ 10 milhões, deixou de realizar e movimentar um volume maior de negócios. Apenas porque nos últimos anos, a despeito do crescimento populacional, de negócios e de arrecadação, a Prefeitura de Feira de Santana foi incapaz de modernizar a estrutura de serviços.
A equipe do Jornal Grande Bahia entrevistou o Secretário de Agricultura e Recursos Hídricos, Ozeny José Moraes Cerqueira e questionou sobre as deficiências da Expofeira. Lamentavelmente foi constatado que a solução, em parte vem de fora, ou seja, um novo projeto será doado ao município e mais uma vez os setores diretamente envolvidos na Expofeira serão deixados de lado. O que demonstra a ineficiência da gestão municipal.
Confira a entrevista
JGB – Criadores de gado Nelore reclamara da dificuldade em adquiri argolas para exposição dos animais?
Ozeny – A demanda foi maior do que a oferta. Colocamos 380 argolas à disposição dos criadores das diversas raças de bovinos: Nelore, Guzerá, Gir, dentre outras. Alguns núcleos solicitaram mais argolas para virem à Feira de Santana, infelizmente não tínhamos mais espaços. Buscamos ampliar com algumas adequações e foram criados espaços improvisados.
JGB – Fundado há 43 anos, o Parque de Exposições João Martins da Silva continua com a sua estrutura física praticamente inalterada. Existe alguma possibilidade dos criadores obterem um espaço para exposição maior, no ano de 2011?
Ozeny – Este é um grande momento da Parceria Público Privada, visto que é preciso também a participação dos criadores. Dos 187 mil m2, usamos apenas 2/3 da área. Realmente ao longo de 43 anos houve poucas modificações e foi mantida a mesma estrutura.
De 2008 para cá investimos R$ 60 mil em melhorias, R$ 150 mil em 2009 e em 2010 gastamos R$ 180 mil. Como exemplo, cito o fato da parte elétrica e hidráulica ser recolhida após cada exposição. O parque é destinado a apenas um evento por ano. Precisamos buscar junto aos criadores condições para que o parque seja multifuncional.
JGB – Podemos deduzir, pela sua resposta, que o Município não tem recursos para ampliar o Parque. Então, como há 43 anos ele pode ser construído e, hoje, não se tem recursos para amplia-lo?
Ozeny – A dificuldade é de todos os municípios brasileiros, não apenas de Feira de Santana. A administração municipal teve que desprender recursos na recuperação da infraestrutura urbana por conta do excesso de chuvas. Os recursos foram canalizados para este fim.
JGB – Secretário, a equipe do JGB entrevistou alguns usuários do Tatersal (recinto para leilões de animais) e eles foram unânimes em dizer: desconfortável, quente, péssima acústica e pequeno espaço para os leilões. Como explicar o projeto e construção de algo com tão baixa qualidade?
Ozeny – Infelizmente, eu não posso responder. O município realiza o evento conforme as condições financeira. Nós não tínhamos, anteriormente, uma exposição como tivemos nos últimos dois anos. Ela retoma a credibilidade nestes dois últimos anos.
Explicações
O secretário Ozeny Moraes finaliza a entrevista dizendo que diversos núcleos de criadores de raças não puderam trazer a quantidade de animais que gostariam. “O Campolina queria trazer 120 animais e só trouxeram 70. O Manga-larga 250, teve que vir com 220”, explica.
Ozeny Moraes declara que o empresário Décio Ribeiro, responsável pelo Centro de Exposição Imigrantes, vai doar um projeto de ampliação e readequação para o Parque João Martins. Segundo Ozeny o empresário ficou encantado com o tamanho da EXPOFEIRA 2010. “O novo projeto contempla a capacidade de expor cerca de 600 animais”, finaliza.


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