A diferença de votos entre a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) e o candidato do PSDB José Serra no segundo turno das eleições, de cerca de 12 pontos percentuais, é a menor registrada entre candidatos dos dois partidos em que as siglas foram protagonistas. Segundo o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), isso significa que ela não está recebendo uma carta em branco da população.
“Uma boa parte dos eleitores ainda a vê com muita desconfiança, e ela vai ter que governar com bastante cuidado, vai ter que vencer essas desconfianças e manter os indicadores econômicos que a levaram a essa vitória”.
Nas eleições de 1994 e 1998, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno. Já em 2002 e 2006, quando Lula venceu no segundo turno José Serra e Geraldo Alckimin, respectivamente, a diferença entre eles foi de mais de 20 pontos percentuais.
Para Barreto, a vitória de Dilma é o reflexo dos bons resultados da economia brasileira. No entanto, o governo da ex-ministra não deve ser visto como um terceiro mandato do governo Lula, especialmente pelo perfil técnico da presidente eleita.
“Ela certamente vai imprimir uma característica própria para o governo, e como ela não é uma unanimidade eleitoral, não tem carisma, não disputou eleições anteriores, é possível que ela traga o governo dela para um perfil mais gerencial, com cobrança de resultados, dando muita importância os indicadores, ao sucesso de gestão, à pauta de infraestrutura, que é gigante e que ela domina”.
O cientista político prevê que o presidente Lula não terá um papel ativo no governo de Dilma, deixando para atuar em momentos de crise. “Ele tem consciência institucional para saber que sua presença nesse momento atrapalha mais que ajuda. O Lula tem um peso muito maior que a Dilma e até que o próprio PT, e a presença dele estaria o tempo todo questionando a autoridade da Dilma Rousseff”.
Eleições custaram R$ 3,60 por eleitor
As eleições deste ano custaram R$ 490 milhões, o que dá uma média de gasto de R$ 3,60 por eleitor. “É um custo relativamente barato para ter democracia funcionando neste grau de eficiência”, avaliou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski. O gasto foi mais de 10% menor que o previsto no orçamento aprovado para o pleito, de R$ 549 milhões.
O presidente do TSE informou que no segundo turno houve um acréscimo de R$ 10,3 milhões em relação ao que estava previsto devido a suplementações orçamentárias em dez estados. Apenas com gastos para alimentação de mesários foram gastos R$ 40 milhões, pois cada um recebe R$ 20.
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