Qual o futuro do Democratas?

Legenda que há oito anos virou oposição hoje está rachada e corre o risco de desaparecer do cenário político

Vinte e cinco anos depois de sua criação , o DEM (ex-PFL) dificilmente permanecerá o mesmo. No declínio do seu antigo poder, ligado em especial a velhas oligarquias estaduais e ao regime militar, o partido apresenta uma divisão interna que pode significar o fim da linha no quadro político. Longe do poder federal desde 2002, enfraquecido pela morte de antigos caciques e pela aposentadoria de outros, a sigla que serviu de sustentação para os governos de José Sarney, de Fernando Collor, de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso se equilibra em uma bancada extremamente desidratada, tanto na Câmara quanto no Senado. Há apenas um nome considerado forte, o prefeito da maior cidade do país, Gilberto Kassab (SP), exatamente o principal arquiteto de uma possível, mas cada mais improvável, fusão com o PMDB.

Nos últimos dias, Kassab colocou sobre a mesa das principais lideranças do DEM dois bilhetes para ingresso no PMDB, principal aliado do futuro governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. O dele, que inclui praticamente todo o diretório paulista, já está marcado. O outro é reservado aos reticentes. Caso a fusão se mostre realmente inviável, Kassab e companhia devem embarcar no partido governista no mais tardar em 2013, quando ele deixará de comandar a capital paulista. Caso as lideranças da sigla modifiquem a tendência natural e saia o acerto com o PMDB, a mudança seria no início de 2011.

Dissidentes do antigo PDS, herdeiro da Arena — partido que foi o cimento da ditadura militar —, o grupo constituído pelo atual DEM chegou a eleger nove governadores. Teve uma bancada superior a 100 deputados e quase 20 senadores. Ainda contava com o virtual sucessor de FHC na Presidência, o então presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (BA). Mas os mesmos 13 anos que separaram a criação do partido, em 1985, do apogeu, nas eleições de 1998, foram suficientes para levar a legenda para um grau arriscado de desidratação.

A derrocada teve início quando os dois grupos que sustentavam a atuação política na esfera governamental desde a redemocratização — o então PFL e o PMDB — concluíram que a máquina do governo federal seria pequena para comportar as duas siglas frente o crescimento das forças emergentes no cenário político, PSDB e PT. “O primeiro grande baque do partido foi a morte de Luís Eduardo Magalhães, em 1998. Ele tentava modernizar o partido e, quando morreu, os nomes mais antigos da legenda acabaram entrando em confronto direto com o PMDB”, conta o professor Carlos Mello, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Ao disputar o posto de principal aliado do então governo FHC com o PMDB, o PFL perdeu a queda de braço e, a partir de 2002, encontrou-se pela primeira vez fora do centro do poder. Na oposição, viu a bancada na Câmara cair dos 105 deputados eleitos em 1998 para 64, em 2006 — este ano, 43.

Com horizonte nebuloso, há três anos as lideranças decidiram iniciar um processo de renovação. Reforçaram o discurso moralista e da ética e trocaram o nome do partido para Democratas. A estratégia acabou virando ironia com o escândalo do mensalão do DEM no Distrito Federal, única unidade da Federação que era governada pela sigla, sob o comando de José Roberto Arruda, hoje sem partido.

Bancada governista

Diante da inevitável encruzilhada política, antigas lideranças do atual DEM relutam a fusão com o PMDB mais por isso significar uma entrada na bancada governista do que em entregar os pontos ao antigo adversário. “Alinhamento ou fusão do DEM com partido da base do governo é traição ao eleitor”, dispara o senador José Agripino Maia (RN). Embora oposicionistas ferrenhos do presidente Lula, os grupos dos Bornhausen, de Santa Catarina, e dos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães, na Bahia, não colocariam empecilhos à fusão. “O partido tem de se reciclar. O DEM fez um papel importante, mas isso não bastou para se fortalecer. Temos de buscar um novo caminho”, defende o deputado Jorginho Maluly (DEM-SP).

A disputa pela sucessão na Presidência do partido, marcada para o início do ano que vem, indicará o provável destino da legenda. Ocupado por Rodrigo Maia (DEM-RJ), o posto é cobiçado por Kassab. A disputa interna significa, na prática, um plebiscito sobre a fusão com o PMDB e para saber se a promessa, já célebre, do presidente Lula, de “extirpar o DEM da política”, realmente se confirmará.

*Com informação de Correio Braziliense | Ivan Iunes


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