América Latina, novo legitimador do Estado Palestino perante o mundo

Jerusalém, 21 dez (EFE).- Em poucas semanas, dois países latino-americanos reconheceram os territórios palestinos como Estado soberano e independente, enquanto outros anunciaram que o farão em breve e cinco estudam adotar a mesma medida, transformando a América Latina no novo legitimador da região perante o mundo.

O respaldo hispano-americano chega em um momento crucial, com as negociações de paz interrompidas há três meses, a contínua expansão das colônias judaicas em solo palestino e a busca por parte da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) de novas opções para conquistar a independência diante do pouco êxito de um processo de paz que já dura 19 anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro a adotar a medida no último dia 3,enviando uma carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na qual reconhecia o Estado palestino com suas fronteiras de 1967 (prévias à guerra dos Seis Dias e que incluem a Cidade Antiga de Jerusalém).

Três dias depois, a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, fez o mesmo e, um dia mais tarde, o Executivo uruguaio de José Mujica anunciou que seguiria os mesmos passos no próximo dia 7 de janeiro de 2011.

Brasília, Buenos Aires e Montevidéu coordenaram sua estratégia com o Paraguai durante a Cúpula do Mercosul, que lançará formalmente negociações para um acordo de livre-comércio com os palestinos.

Na sexta-feira passada o presidente da Bolívia, Evo Morales, também declarou que esta semana faria o reconhecimento formal da Palestina como Estado independente e soberano.

Fontes da OLP disseram à Agência Efe que o Equador também adotará a medida nos próximos dias, enquanto “Paraguai e El Salvador estão a um passo de fazê-lo e o Peru também cogita sua adesão”.

No Chile, país que acolhe a maior diáspora palestina fora do mundo árabe, vários deputados apresentaram uma moção pedindo que o Palácio da Moeda aprove o reconhecimento do Estado Palestino, embora ainda seja necessário vencer a reticência do Governo de Sebastián Piñera a fazê-lo conforme as fronteiras de 1967.

A Venezuela já havia reconhecido os territórios palestinos há anos, visto que Hugo Chávez é um dos seus principais apoiadores da criação do Estado.

Dois países reticentes a apoiar publicamente os palestinos são a Colômbia, que depende muito da ajuda militar israelense, e o Panamá, cujo presidente, Ricardo Martinelli, qualificou Israel como “guarda de Jerusalém” há alguns meses, o que criou um sério mal-estar no mundo árabe.

“O reconhecimento da fronteira de 1967 é uma resposta da comunidade internacional para salvar a solução de dois Estados e lembrar a Israel que no século XXI as fronteiras se definem pelo direito internacional e não por colônias”, disse à Efe o porta-voz do departamento de Negociações da OLP, Xavier Abu Eid.

A América Latina “tem uma conexão muito forte com a Palestina, historicamente em nível político e social e com este passo importante está colaborando com a paz no Oriente Médio”, acrescentou.

Os palestinos não esperam que estes reconhecimentos solucionem todos os seus problemas nem que acabem com a ocupação israelense, mas acreditam que melhorarão sua posição e demonstrarão que o mundo está cansado de esperar uma solução ao conflito que parece não chegar nunca.

“A vantagem de conseguir o reconhecimento de um número importante de países é melhorar o enorme desequilíbrio de poder que temos os nas negociações”, disse em entrevista coletiva o membro da equipe negociadora da OLP Nabil Saath.

Pedir às nações que reconheçam o Estado palestino, que declarou sua independência em 1988 e foi reconhecido por 104 países, faz parte de uma estratégia mais ampla “para tornar universal o direito palestino à soberania enquanto busca que a ONU puna a expansão das colônias judaicas” nos territórios ocupados, acrescentou.

Na semana passada, Abbas pediu à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que a União Europeia também reconheça em bloco o Estado palestino.

“Acreditamos que as capitais europeias criaram uma fórmula para nos reconhecer, elevando o grau de nossas representações diplomáticas a embaixadas, algo que a Noruega já fez e que outros três países europeus planejam fazer em breve”, disse Saath.

As autoridades israelenses estão insatisfeitas com o precedente aberto pelos países latino-americanos.

O vice-ministro israelense das Relações Exteriores, Danny Ayalon, atribuiu as decisões latino-americanas à “falta de entendimento do que ocorre na região”, e assegurou que esses países “deveriam se focar mais no que fazem os norte-americanos e os europeus, que estão mais envolvidos” nas negociações.

Yigal Palmor, porta-voz das Relações Exteriores, disse nesta segunda-feira à agência Efe que Israel “lamenta este tipo de iniciativas”, que “danificam a possibilidade de retomar as negociações diretas (com os palestinos)”.

“Uma verdadeira solução do conflito só pode resultar de negociações diretas e não de medidas unilaterais”, disse o porta-voz israelense, que acrescentou que “sem negociações, não haverá paz”

*Com informações do Deutsche Welle


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