Em recente entrevista, Dillma Rousseff, a futura presidente do Brasil, manifestou-se sobre uma das questões iranianas. Porém, o fez de uma forma tíbia e superficial não condizente com sua posição de futura Chefe de Estado: conforme noticiado limitou-se a manifestar sua posição feminista (politicamente correta, é claro) com relação ao apedrejamento de mulheres como forma de aplicação da pena de morte.
Por essa razão afirma não ter concordado com a posição de abstenção assumida pelo Brasil na ONU, quando foi abordada a questão de violação dos direitos humanos no Irã. Uma postura de chefe de estado em defesa dos direitos humanos obrigava um preclaro pronunciamento sobre o procedimento judicial que culminou pela condenação de Sakineh Achtiani, procedimento esse que, conforme noticiado, tramitou e tramita praticamente em segredo de justiça e cuja decisão teve seus fundamentos alterados no curso do procedimento, para “adequá-la” aos protestos e reclamos da comunidade internacional.
Afinal, não apenas o apedrejamento é uma “prática medieval” e desconfortável, mas, também o é, um processo criminal ao qual não se confere plena visibilidade dos seus termos, atos e decisões. Já que se manifestou a respeito, instada que foi a tanto, deveria fazer um pronunciamento completo abordando todos os aspectos envolvidos na questão. Afinal, não só como futura chefe de estado, mas também como cidadã tem a obrigação e “o direito de examinar, debater e censurar os atos dos poderes políticos” (Rui Barbosa). Aliás, a bem da verdade, tendo em vista o tempo já decorrido do noticiário sobre a infeliz Sakineh, há muito D. Dillma já deveria ter se pronunciado a respeito definindo, sem concessões é claro, sua postura com relação a essa questão iraniana. E por que não com relação a outras também…
*Por Pedro Vergueiro.








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